O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou a necessidade de taxação das grandes fortunas como um “imperativo moral” para enfrentar o avanço das oligarquias nas democracias. Em sua fala, ele apontou a classe política como um obstáculo à implementação dessa medida, questionando quanto tempo levará para que ela esteja à altura dos desafios atuais. Haddad […]
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou a necessidade de taxação das grandes fortunas como um “imperativo moral” para enfrentar o avanço das oligarquias nas democracias. Em sua fala, ele apontou a classe política como um obstáculo à implementação dessa medida, questionando quanto tempo levará para que ela esteja à altura dos desafios atuais. Haddad também mencionou a colaboração entre Brasil e França para avançar com essa proposta em fóruns internacionais, como o G20, onde a tributação dos super-ricos foi incluída na declaração final da cúpula realizada no Rio de Janeiro em 2023.
Durante uma conferência em Paris, Haddad reiterou que a proposta de taxar cerca de três mil famílias, que detêm US$ 15 trilhões, poderia financiar ações contra a crise climática, como as enchentes no Rio Grande do Sul. Ele enfatizou que essa taxação não causaria prejuízos a essas famílias, que não passariam fome. O ministro argumentou que a questão deve ser abordada sob uma perspectiva socioambiental, ressaltando que a tecnologia sozinha não resolverá os problemas enfrentados.
Haddad também destacou que as propostas brasileiras nos fóruns internacionais consideram as desigualdades entre as nações. Ele afirmou que a taxação dos super-ricos deve ser vista como uma forma de abordar a questão social, promovendo um entendimento mais holístico das crises atuais. O ministro criticou a rapidez com que o dinheiro aparece para financiar conflitos, contrastando com a lentidão em abordar questões sociais e ambientais.
Por fim, Haddad expressou otimismo sobre a possibilidade de tirar a proposta do papel, afirmando que isso depende da profundidade das democracias em enfrentar tais questões. Ele concluiu que a taxação das grandes fortunas é uma questão de justiça social e equilíbrio econômico global, e que o Brasil deve se posicionar como um líder em um multilateralismo reforçado.
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