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Divisão entre concepções de futuro ameaça a democracia, afirma filósofo Marcos Nobre

Marcos Nobre alerta para a divisão irreconciliável entre visões de futuro no Brasil e no mundo, destacando a necessidade urgente de um novo programa progressista.

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Marcos Nobre, professor da Unicamp, afirma que o Brasil enfrenta uma divisão social profunda, onde duas visões de futuro são incompatíveis e não há espaço para acordos. Ele destaca que essa crise começou em 2008 e se agravou com a ascensão da extrema direita e o uso eficaz das redes sociais. A extrema direita, como a de Donald Trump, tem um projeto de futuro que a esquerda ainda não conseguiu definir. Nobre critica a tendência progressista de rotular opositores como fascistas, o que dificulta o diálogo. Ele observa que a direita convenceu muitos de que políticas de redistribuição são injustas. A digitalização permitiu que a extrema direita mobilizasse eleitores sem depender de partidos tradicionais, enquanto o progressismo enfrenta dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Nobre acredita que o novo progressismo precisa desenvolver um programa claro e inovador para se opor à direita, e essa construção deve vir da oposição ao que a direita está fazendo atualmente. Ele vê uma oportunidade para o progressismo se reinventar e apresentar uma visão de futuro que conecte com a população.

O Brasil enfrenta uma divisão social profunda, segundo Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em entrevista ao Estadão, ele afirma que a polarização política evoluiu para um cenário em que duas concepções de futuro são incompatíveis, sem espaço para acordos. Nobre destaca que essa crise, que começou em 2008, é global e se intensificou com a ascensão da extrema direita e o uso eficaz das redes sociais.

A extrema direita, exemplificada por Donald Trump nos Estados Unidos, tem conseguido apresentar um projeto de futuro que a esquerda ainda não conseguiu definir. Nobre critica a abordagem progressista de rotular opositores como fascistas, o que, segundo ele, resulta em uma cristalização de posições que impede o diálogo. Ele observa que a direita tem convencido a população de que políticas de redistribuição são injustas, o que impacta diretamente na aceitação de suas propostas.

A digitalização acelerada da vida política permitiu que a extrema direita mobilizasse eleitores sem depender dos partidos tradicionais. Nobre aponta que o bolsonarismo combina um partido digital com um tradicional, enquanto o progressismo enfrenta dificuldades para se adaptar a essa nova dinâmica. Ele argumenta que, se a esquerda não conseguir criar um partido digital, terá dificuldades em alcançar novos eleitores e em competir efetivamente.

Por fim, Nobre ressalta que o novo progressismo precisa urgentemente desenvolver um programa claro e inovador para se opor à direita. Ele acredita que a construção desse programa deve emergir da oposição ao que a direita está implementando atualmente. O professor conclui que, embora a situação seja desafiadora, há uma oportunidade para o progressismo se reinventar e apresentar uma visão de futuro que ressoe com a população.

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