A memória do imperador Mughal Aurangzeb Alamgir, que morreu há mais de trezentos anos, causou conflitos em Nagpur, na Índia. Nacionalistas hindus pedem a demolição de seu túmulo, influenciados por um novo filme que retrata suas ações violentas. Aurangzeb é visto como um tirano que cometeu brutalidades, incluindo a destruição de templos hindus. Recentemente, confrontos na cidade deixaram várias pessoas feridas e resultaram em prisões, levando as autoridades a impor um toque de recolher. O filme “Chhaava” aumentou a raiva contra o imperador, e o chefe do governo de Maharashtra, Devendra Fadnavis, afirmou que a produção inflamou a indignação popular. Embora a dinastia Mughal tenha promovido a harmonia religiosa em seu início, Aurangzeb adotou uma postura intolerante a partir de 1680, demitindo estadistas hindus e reprimindo violentamente o reino Maratha. Suas ações o tornaram uma figura odiada por muitos, especialmente entre os sikhs. O primeiro-ministro Narendra Modi e seu partido, o BJP, têm usado suas atrocidades para criticar os muçulmanos. A cidade de Aurangabad foi renomeada em 2023, refletindo essa mudança de narrativa. Historiadores alertam que a história está sendo reescrita para demonizar os muçulmanos, gerando medo entre essa minoria. A memória de Aurangzeb continua a ser um tema polêmico na Índia atual.
Memória de Imperador Mughal Desencadeia Violência na Índia
A memória do imperador Mughal Aurangzeb Alamgir, falecido há mais de trezentos anos, reacendeu tensões sectárias na Índia. Confrontos eclodiram em Nagpur, com nacionalistas hindus exigindo a demolição de seu túmulo, impulsionados por uma nova representação cinematográfica de suas ações.
O sexto imperador da dinastia Mughal é visto por muitos como um tirano responsável por brutalidades, destruição de templos hindus e conversões religiosas forçadas. Em um cenário político dominado por nacionalistas hindus, Aurangzeb se tornou um vilão, com sua memória sendo alvo de apagamento.
Conflitos em Nagpur e Filme Polêmico
Os confrontos em Nagpur, no mês passado, resultaram em dezenas de feridos e prisões, levando as autoridades a impor um toque de recolher. A violência foi aparentemente desencadeada por um filme de Bollywood que retrata as conquistas violentas de Aurangzeb contra um rei hindu reverenciado.
A representação no filme “Chhaava” intensificou a raiva popular contra o imperador. O chefe do governo de Maharashtra, Devendra Fadnavis, afirmou que o filme inflamou a indignação contra Aurangzeb.
Mughals: Entre a Tolerância e a Intolerância
A dinastia Mughal, fundada em 1526, governou um vasto império que se estendia da Ásia Central ao Bangladesh. Líderes como Akbar e Shah Jahan promoveram a harmonia religiosa e influenciaram a cultura indiana, construindo monumentos icônicos como o Taj Mahal.
Aurangzeb, no entanto, é considerado uma figura controversa. O historiador Abhishek Kaicker, da UC Berkeley, destaca que ele despertava “uma mistura de admiração e aversão” devido à forma como ascendeu ao trono e, ao mesmo tempo, atraía lealdade por sua piedade e poder militar.
Mudança de Postura e Legado Controverso
Inicialmente, Aurangzeb governou com relativa tolerância em relação à fé hindu. No entanto, a partir de 1680, adotou uma postura de intolerância religiosa, demitindo estadistas hindus e lançando uma guerra impopular no Deccan, reprimindo violentamente o reino Maratha.
Suas ações, como a execução do nono Guru Sikh Tegh Bahadur, o tornaram uma figura odiada por muitos sikhs. O primeiro-ministro Narendra Modi e seu partido, o Bharatiya Janata Party (BJP), têm apontado as atrocidades cometidas por Aurangzeb contra os hindus.
Reescrita da História e Temores Muçulmanos
A cidade de Aurangabad foi renomeada em 2023, em referência ao filho do rei Shivaji. Historiadores como Nadeem Rezavi alertam que a história está sendo reescrita para demonizar a comunidade muçulana.
O BJP nega usar o nome de Aurangzeb para difamar os muçulmanos, mas sua invocação de antigos governantes está causando medo e ansiedade entre a minoria religiosa. A memória do imperador continua a ser um ponto de discórdia na Índia contemporânea.
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