O presidente Lula reafirmou a importância do Estado em setores estratégicos durante uma visita à Telebras, em meio a prejuízos bilionários das estatais, que somam R$ 6,7 bilhões em 2024. Os Correios são os mais afetados, com um déficit de R$ 3,2 bilhões, e as causas incluem críticas à gestão anterior e mudanças nas políticas de tarifas. Apesar de exemplos de privatizações bem-sucedidas, como a Embraer, a resistência à venda de estatais continua, influenciada por uma visão negativa do neoliberalismo. A ideia de que algumas estatais são essenciais é contestada, com críticos afirmando que o Brasil pode avançar em áreas como inteligência artificial sem depender do Estado. Casos de sucesso na iniciativa privada, como o Porto Digital e a concessão de aeroportos, mostram que é possível oferecer serviços de qualidade sem comprometer a soberania. A modernização do Estado e a busca por resultados são vistas como prioridades, e especialistas sugerem que é necessário identificar o que realmente é estratégico para o país.
Lula defende o papel do Estado em meio a prejuízos bilionários de estatais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a importância da presença estatal em setores considerados estratégicos, durante visita à Telebras, em Brasília. A declaração ocorre em um contexto de dificuldades financeiras enfrentadas por diversas empresas estatais brasileiras, com um rombo total de R$ 6,7 bilhões em 2024.
Os Correios lideram o ranking de prejuízos, com um déficit de R$ 3,2 bilhões. As causas apontadas variam entre críticas à gestão anterior e impactos de políticas recentes, como a redução de taxas sobre encomendas internacionais. Segundo um secretário do governo, é preciso “criar negócios que tragam receitas” para reverter o quadro.
Privatizações: um histórico de sucesso ignorado?
A discussão sobre a privatização de estatais no Brasil é antiga, com um movimento significativo na década de 1990. O exemplo da Embraer, privatizada sob o argumento de segurança nacional, é citado como um caso de sucesso, com a empresa se tornando um líder global e gerando mais empregos após a mudança.
Apesar de resultados positivos em outras privatizações, a resistência à venda de estatais persiste. Especialistas apontam para uma “síndrome dos anos 1990”, marcada por uma forte retórica contra o “neoliberalismo” e o “desmonte do Estado”, que ainda influencia o debate público.
O mito das estatais “estratégicas”
A ideia de que certas estatais são “estratégicas” é questionada. Lula defendeu a importância da Telebras para a discussão sobre inteligência artificial, mas críticos argumentam que o país pode avançar nessa área sem depender de uma empresa estatal.
Exemplos como o Porto Digital, em Recife, e a concessão de aeroportos demonstram que a iniciativa privada pode oferecer serviços de qualidade e gerar receita, sem comprometer a soberania nacional. A gestão privada do Parque Ibirapuera, em São Paulo, e de hospitais como o M’Boi Mirim, também são citados como casos de sucesso.
A necessidade de modernização e foco em resultados
A modernização do Estado e a busca por resultados são apontadas como prioridades. A experiência brasileira nas últimas três décadas demonstra que é possível melhorar a eficiência dos serviços públicos e reduzir a pobreza por meio de parcerias com o setor privado e da gestão eficiente dos recursos.
O cientista político Fernando Schüler, do Insper, defende que é preciso separar o joio do trigo, identificando o que é realmente estratégico e o que é apenas retórica corporativista. A teimosia em insistir em velhos erros impede o país de avançar em direção a um futuro mais próspero e justo.
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