A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) lançou um livro que conta como atuou durante a pandemia de Covid-19, mostrando que seus avisos sobre a gravidade da situação foram ignorados pelo governo de Jair Bolsonaro. O livro, chamado “Memórias da Pandemia”, revela que a Abin sofreu pressão para apoiar o uso da hidroxicloroquina e evitar palavras como “lockdown”. Funcionários da agência estão frustrados por sentirem que seu trabalho foi desvalorizado e que foram orientados a não criticar o governo. Durante a pandemia, a Abin produziu mais de 1.100 documentos alertando sobre o avanço do vírus e o colapso dos serviços de saúde, mas o governo manteve esses documentos em sigilo e promoveu tratamentos sem comprovação científica. A situação piorou com a nomeação do general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde, quando a divulgação de dados oficiais parou. Os relatos no livro mostram um conflito entre os agentes da Abin e o governo, que tentava minimizar a pandemia. A Abin espera que essa reflexão ajude a evitar erros no futuro e incentive padrões éticos entre os servidores.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) lançou um livro que detalha sua atuação durante a pandemia de Covid-19, revelando que seus alertas sobre a gravidade da situação foram ignorados pelo governo de Jair Bolsonaro. O livro, intitulado “Memórias da Pandemia: a atuação da Agência Brasileira de Inteligência no Enfrentamento à Covid-19 (2020-2021)”, foi divulgado na sexta-feira, 25 de abril de 2025.
Os relatos indicam que a Abin enfrentou pressões para apresentar dados que favorecessem o uso da hidroxicloroquina e evitar termos como “lockdown”. Servidores da agência expressaram frustração com a desvalorização de seu trabalho, afirmando que foram instruídos a minimizar observações críticas ao governo. Um agente destacou que “sofríamos muita pressão para diminuir algumas observações que poderiam ser lidas como críticas ao governo.”
Durante a pandemia, a Abin produziu mais de 1.100 documentos alertando sobre o avanço da Covid-19 e o risco de colapso dos serviços de saúde. No entanto, o governo manteve esses documentos em sigilo, enquanto promovia o uso do “kit Covid”, que incluía medicamentos sem eficácia comprovada. A Abin também adaptou sua estrutura, formando grupos de trabalho e utilizando uma rede segura para permitir o trabalho remoto.
Mudanças na abordagem do governo foram notadas após a nomeação do general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde, quando a divulgação de dados oficiais foi interrompida. Um funcionário da Abin relatou que foi orientado a produzir documentos que destacassem aspectos positivos da hidroxicloroquina, enquanto outro afirmou ter recebido instruções para deixar de priorizar a Covid-19.
Os relatos no livro refletem uma dissonância entre os agentes da Abin e a cúpula do governo, que buscava minimizar a gravidade da pandemia. A Abin enfatiza que sua reflexão é necessária para evitar a repetição de erros e incentivar futuras gerações de servidores a manterem padrões éticos e profissionais.
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