O governo dos Estados Unidos suspendeu o financiamento federal para pesquisas de ganho de função em virologia, que são consideradas perigosas. Essa suspensão, que durará quatro meses, pode afetar até mesmo estudos de baixo risco. O objetivo é revisar as regras sobre como essas pesquisas são supervisionadas, especialmente aquelas que podem tornar vírus mais transmissíveis ou letais. Especialistas alertam que essa decisão pode impedir pesquisas importantes para a saúde pública, já que instituições que não seguirem as novas regras podem perder financiamento por até cinco anos. Enquanto alguns cientistas apoiam a medida por causa dos riscos envolvidos, outros temem que isso leve a cortes em pesquisas essenciais. O decreto também proíbe financiamento para pesquisas em países considerados de risco, como China e Irã, e exige que instituições confirmem que não colaboram com esses países em pesquisas relevantes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto executivo que suspende o financiamento federal para pesquisas de ganho de função em virologia. A medida, que entra em vigor imediatamente, abrange até mesmo estudos considerados de baixo risco. O governo revisará a política de supervisão dessas pesquisas nos próximos quatro meses.
O decreto, assinado em 5 de maio, classifica como perigosas as pesquisas que podem aumentar a letalidade ou transmissibilidade de patógenos. Isso inclui estudos que permitem que agentes infecciosos evitem vacinas e tratamentos. A especialista em biosegurança da Universidade Johns Hopkins, Gigi Gronvall, afirmou que a ordem é tão abrangente que pode afetar toda a pesquisa em virologia.
Pesquisadores expressam preocupação de que a nova definição de pesquisa de ganho de função possa impedir até mesmo estudos que beneficiem a saúde pública. O virologista molecular da Universidade de Cambridge, Sam Wilson, alertou que instituições que desrespeitarem o decreto poderão ser banidas de receber financiamento federal por até cinco anos.
Reações ao Decreto
Alguns cientistas veem a ordem como um passo positivo para aumentar a segurança em pesquisas. A epidemiologista Raina MacIntyre, da Universidade de New South Wales, destacou que as tecnologias atuais podem representar um risco significativo de pandemia. A ordem também proíbe financiamento para pesquisas em países como China e Irã, considerados de preocupação.
O decreto surge em um momento em que muitos pesquisadores enfrentam cortes orçamentários e cancelamentos de subsídios. A ordem é vista como uma resposta ao debate sobre as origens da COVID-19, com o governo buscando reduzir o risco de incidentes relacionados a pesquisas de ganho de função. A Casa Branca mencionou especificamente o trabalho realizado com coronavírus de morcegos na China como um exemplo do que se busca evitar.
Entre na conversa da comunidade