Há 40 anos, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente com a aprovação da emenda constitucional 25, que reintroduziu as eleições diretas. Essa emenda foi aprovada pelo Congresso em maio de 1985, mas não veio do movimento Diretas Já, e sim da Nova República, logo após a saída dos militares do poder. Documentos mostram que os militares temiam a eleição de um presidente de esquerda em 1985, pois isso poderia significar a perda de controle sobre a sucessão. Eles preferiam que o primeiro governo civil fosse formado por políticos que já estavam na ditadura. A vitória de Tancredo Neves e José Sarney foi vista como uma opção mais segura para os militares. A emenda 25 também trouxe outras mudanças, como a criação do segundo turno e o voto direto para prefeitos. Os brasileiros não escolhiam um presidente desde 1960, e voltaram às urnas em 1989.
Faz 40 anos que os brasileiros recuperaram o direito de escolher seu presidente. A promulgação da emenda constitucional 25, que reintroduziu as eleições diretas, ocorreu na madrugada de 8 para 9 de maio de 1985 e foi oficializada em 15 de maio. Essa emenda, uma das primeiras iniciativas da Nova República, não teve origem no movimento Diretas Já, mas foi uma resposta à transição política após a ditadura militar.
Documentos do Arquivo do Senado revelam os temores dos militares em relação a uma possível eleição de um presidente de esquerda em 1985. O senador Dinarte Mariz, do Partido Democrático Social (PDS), argumentou que a mudança para eleições diretas seria um “golpe de Estado”. Na época, o Colégio Eleitoral, composto por senadores e deputados, garantia a continuidade do controle militar.
O último presidente da ditadura, João Baptista Figueiredo, planejava uma abertura “lenta, gradual e segura”, que não incluía eleições diretas. A emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas, foi rejeitada em 1984. Figueiredo chegou a enviar uma proposta de eleições diretas apenas para 1988, mas a oposição buscava antecipar essa mudança.
O historiador Leonardo Weller aponta que o medo dos militares era que um candidato de esquerda, como Leonel Brizola, pudesse ser eleito, revogando a Lei da Anistia e punindo os abusos cometidos durante a ditadura. Para evitar essa situação, os militares preferiram um governo civil formado por políticos que já faziam parte do regime.
Após a morte de Tancredo Neves, José Sarney, seu vice, apresentou a proposta de emenda para eleições diretas ao Congresso em 7 de maio de 1985. O texto foi rapidamente aprovado, permitindo que os brasileiros voltassem a escolher seu presidente após quase 30 anos. A emenda também trouxe inovações, como a criação do segundo turno e a restauração do voto direto para prefeitos em diversas localidades.
Entre na conversa da comunidade