Na COP30, que acontecerá em novembro em Belém, líderes indígenas e representantes de comunidades extrativistas, como Kleber Karipuna, Angela Kaxuyana e Letícia Moraes, vão discutir os efeitos das mudanças climáticas que afetam suas vidas, como a seca dos rios e a insegurança alimentar. Angela, que vive na Amazônia, relata que a seca extrema aumentou a desnutrição entre as crianças. Karipuna menciona que a produção de mandioca no Amapá foi prejudicada por uma praga causada pelo aumento das temperaturas. Em Curralinho, no Pará, comunidades enfrentam enchentes e incêndios que reduzem a renda das famílias. Durante a conferência, as organizações indígenas querem garantir a demarcação de terras e o financiamento direto para suas comunidades, já que apenas 1% dos recursos climáticos globais chega a eles. Eles buscam que suas demandas sejam incluídas na Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil, que estabelece metas climáticas. A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destaca a importância de financiar diretamente as organizações indígenas para que possam gerenciar seus territórios e melhorar suas condições de vida.
Líderes indígenas e comunidades extrativistas se preparam para a COP30, que ocorrerá em novembro em Belém. Eles buscam a demarcação de terras e financiamento direto para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na Amazônia. A seca dos rios e a insegurança alimentar têm afetado diretamente essas comunidades.
Angela Kaxuyana, representante da Bacia Amazônica na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), relata que o rio em seu território está seco há mais de seis meses. “Nunca houve estiagens tão extremas, o que aumentou nossa insegurança alimentar”, afirma. A situação é semelhante no Oiapoque, Amapá, onde a produção de mandioca é prejudicada por pragas associadas ao aumento das temperaturas.
Em Curralinho, na Ilha de Marajó, comunidades extrativistas enfrentam enchentes e incêndios, que comprometem a produção de alimentos e reduzem em até 40% a renda familiar. Letícia Moraes, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), expressa preocupação com a chegada do verão e suas consequências.
Demandas na COP30
As organizações indígenas, como a Apib e a Coiab, fazem parte do Círculo dos Povos da conferência, que visa ampliar a representação de comunidades tradicionais. A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destaca que as comissões apresentarão suas demandas para os documentos a serem discutidos. O objetivo é conseguir o credenciamento de mil indígenas para acesso à Zona Azul da conferência.
As principais reivindicações incluem a demarcação de terras e o direcionamento de recursos a fundos geridos pelas comunidades. Karipuna, da Apib, ressalta que a demarcação é uma política efetiva de enfrentamento à crise climática. Além disso, as organizações pedem o repasse direto de recursos globais para ações de proteção e recuperação de territórios.
Apenas 1% dos recursos climáticos disponíveis foram destinados diretamente aos povos indígenas. Guajajara enfatiza a importância de financiar as organizações para que possam gerir seus territórios de forma autônoma. Letícia Moraes também solicita recursos diretos para agregar valor à produção local, como a aquisição de máquinas de processamento.
Próximos Passos
Para que suas demandas sejam incorporadas à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, as organizações indígenas precisam do aval do governo federal e do Conselho Interministerial de Mudança do Clima. A validação final ocorrerá na COP30, onde será necessário aproximar as comitivas governamentais dos representantes indígenas.
A ministra Guajajara destaca a importância de preparar os indígenas para acompanhar as discussões e decisões na conferência. A expectativa é que, com a participação ativa, as vozes indígenas sejam ouvidas e suas necessidades atendidas.
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