A Polícia Federal pediu mais 60 dias para continuar as investigações sobre um esquema de corrupção no Superior Tribunal de Justiça, que envolve a venda de sentenças judiciais. Os investigadores descobriram que o caso é mais complicado do que pensavam, com novas evidências ligando um motorista a depósitos suspeitos. O motorista recebeu R$ 2,625 milhões de uma empresa ligada a um lobista que está preso. A PF também solicitou a prorrogação das medidas cautelares contra os investigados, incluindo advogados e servidores públicos. O caso está sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, que já investiga a participação de ministros da Corte.
A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, a prorrogação das investigações sobre um esquema de corrupção no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por mais sessenta dias. O caso envolve a venda de sentenças judiciais e se mostrou mais complexo do que inicialmente imaginado.
As investigações, que já haviam sido estendidas anteriormente, revelaram uma rede de advogados, lobistas e servidores públicos envolvidos em práticas ilícitas. A PF informou que novos indícios financeiros podem alterar a profundidade das hipóteses criminais, o que pode levar o STF a supervisionar o inquérito.
Novas Evidências
Os investigadores descobriram que o motorista João Batista Silva recebeu R$ 2,625 milhões de uma empresa ligada ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, um dos principais alvos do escândalo. Os depósitos ocorreram entre 2019 e 2023, e Batista também foi beneficiário do auxílio emergencial durante a pandemia.
Andreson e sua esposa, a advogada Mirian Ribeiro Rodrigues, estão no centro da apuração. Enquanto Andreson está preso na penitenciária federal de Brasília, Mirian cumpre prisão domiciliar. A PF investiga a possibilidade de lavagem de dinheiro por meio de transferências para contas de terceiros.
Medidas Cautelares
O delegado Marco Bontempo destacou a gravidade dos fatos e pediu a prorrogação das medidas cautelares contra os investigados. O STF deve decidir em breve sobre um recurso da defesa de Andreson, que busca a transferência para prisão domiciliar. Até o momento, três dos cinco ministros da Primeira Turma já votaram contra o pedido, mantendo o lobista encarcerado.
Zanin, relator do caso, apontou que Andreson tinha uma função central no suposto esquema de venda de decisões judiciais, envolvendo intermediadores e servidores públicos. As investigações continuam sob sigilo, mas já provocaram constrangimento entre os integrantes do STJ.
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