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Reis da Espanha homenageiam republicanos em Mauthausen após 80 anos da liberação

Reis da Espanha homenageiam republicanos em Mauthausen, mas clamores por uma declaração oficial sobre o franquismo ecoam entre os presentes.

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Os Reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, visitaram o campo de concentração de Mauthausen para homenagear os republicanos espanhóis que morreram lá. Essa visita, que ocorreu 80 anos após a liberação do campo, gerou reações mistas, com alguns familiares de vítimas achando que o gesto da monarquia veio tarde. Durante a cerimônia, os Reis destacaram a importância de lembrar os crimes cometidos e reafirmaram seu compromisso com a democracia e os direitos humanos. Felipe VI depositou flores em memoria dos mortos, enquanto a rainha Letizia usava um símbolo que identificava os republicanos no campo. A visita foi vista como um passo importante, mas muitos pedem uma declaração oficial do governo espanhol sobre a responsabilidade do Estado em relação ao franquismo. A presença dos Reis em Mauthausen também levantou questões sobre a história e a memória da Espanha, especialmente em um momento em que a extrema direita está ganhando força.

Os Reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, realizaram uma visita ao campo de concentração de Mauthausen, na Áustria, no último domingo, para homenagear os republicanos espanhóis que morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Este evento marca a primeira vez que a monarquia espanhola participa de uma cerimônia nesse local, que foi liberado há oitenta anos.

Durante a visita, os Reis depositaram quatro coroas de flores em diferentes monumentos, incluindo um cenotáfio que exalta a memória dos mortos. Em um gesto simbólico, escreveram no livro de visitas: “Que a memória dos crimes aqui cometidos permaneça intacta”. A presença da monarquia gerou reações mistas, com alguns familiares de deportados considerando o ato tardio e pedindo uma declaração oficial do Estado sobre a responsabilidade histórica do franquismo.

Reações e Contexto

A visita ocorreu em um contexto de crescente debate sobre a memória histórica na Espanha, especialmente em relação ao franquismo. O presidente da associação Amical de Mauthausen, Juan Manuel Calvo, destacou a importância da visita, afirmando que o chefe de Estado demonstrou conhecimento sobre a deportação dos republicanos. Contudo, ele enfatizou a necessidade de um reconhecimento institucional da responsabilidade do Estado espanhol.

Durante a cerimônia, houve momentos de tensão, como gritos de “Viva a República!” e pedidos de respeito. A rainha Letizia foi vista segurando um lenço com a letra “S”, símbolo que identificava os republicanos no campo. A presença de representantes do governo espanhol, incluindo o ministro de Direitos Sociais, também foi notada.

Memória e Legado

A visita dos Reis a Mauthausen se insere em uma série de homenagens que Felipe VI tem prestado aos republicanos espanhóis desde que assumiu o trono em 2014. O campo de Mauthausen, que abrigou mais de sete mil espanhóis, é considerado um marco na memória coletiva do país. A cerimônia também levantou questões sobre a pesquisa de crimes cometidos contra espanhóis durante a guerra e a possível conivência do regime franquista.

A presença da monarquia em Mauthausen foi vista como um forte símbolo institucional, embora tenha gerado discussões sobre a necessidade de um perfil mais discreto. A memória dos que sofreram e morreram nos campos nazistas continua a ser um tema relevante na sociedade espanhola, especialmente à medida que os sobreviventes se tornam cada vez mais raros.

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