Uma delegação da organização Abuelas de Plaza de Mayo, que busca encontrar crianças sequestradas durante a ditadura militar na Argentina, se reunirá com autoridades da União Europeia em Bruxelas para pedir apoio internacional. Essa reunião acontece em um momento em que o governo de Javier Milei tem cortado recursos de instituições que investigam os crimes da ditadura, como o Banco Nacional de Dados Genéticos. Desde 2023, várias organizações de direitos humanos têm denunciado a tentativa de apagar a memória dos crimes cometidos. A Abuelas já encontrou 139 vítimas, mas muitas ainda não sabem de suas verdadeiras origens. Claudia Poblete, uma das encontradas, destaca a importância de buscar novas formas de financiamento para continuar essa luta, já que há muitas pessoas que podem estar vivendo na Europa sem saber que foram sequestradas quando crianças.
Uma delegação da Abuelas de Plaza de Mayo se reunirá com autoridades da União Europeia em Bruxelas nesta segunda-feira, 19, para solicitar apoio internacional. O encontro ocorre em resposta ao desmonte de políticas de memória e direitos humanos promovido pelo governo do presidente Javier Milei.
A organização busca localizar crianças sequestradas durante a ditadura militar argentina (1976–1983). Até agora, 139 vítimas foram identificadas por meio de testes de DNA. Durante o regime, pelo menos 500 bebês foram entregues a famílias de militares que desejavam adotar. Claudia Poblete, uma das encontradas, destaca que o objetivo da viagem é “explorar novas formas de financiamento para continuar a busca”.
Desde que Milei assumiu o poder, em 2023, houve cortes em órgãos que investigam crimes da ditadura, como o Banco Nacional de Dados Genéticos. Organizações de direitos humanos denunciam uma tentativa de apagar a memória dos crimes de Estado. No Arquivo Nacional de Lembrança, metade da equipe de investigação foi demitida sob a nova administração.
Além disso, agências como o Registro Central de Vítimas do Terrorismo de Estado e a Comissão de Identidade Nacional também sofreram cortes. Poblete afirma que “o estado tem o dever de encontrar os desaparecidos”. O ex-secretário de Direitos Humanos da Argentina, Horacio Pietragalla, reforça que “a busca precisa continuar”, pois ainda há mais de 250 pessoas que não sabem que são filhos de desaparecidos.
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