Clebson Ferreira de Paula Vieira, ex-analista de inteligência do Ministério da Justiça, depôs ao STF sobre a suposta trama golpista de 2022 liderada por Jair Bolsonaro. Ele contou que recebeu ordens para mapear cidades onde Lula e Bolsonaro tiveram alta votação, o que sugere uso ilegal de dados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Vieira, que é testemunha da Procuradoria-Geral da República, disse que a equipe do ex-ministro Anderson Torres pediu análises sobre municípios com mais de 70% de votos e a distribuição do efetivo da PRF. Ele ficou preocupado com essas ordens, considerando o clima político da época. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou Vieira sobre suas suspeitas, e ele afirmou que ficou alarmado ao perceber que suas habilidades técnicas foram usadas para decisões ilegais. O ex-diretor de inteligência da PRF, Adiel Pereira Alcântara, também expressou desconforto com ordens de superiores, mencionando uma reunião em que foi solicitado apoio para monitorar transporte de eleitores para o Nordeste, o que considerou estranho. O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso, que envolve Bolsonaro e outros ex-ministros, acusados de organização criminosa e tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito, com penas que podem ultrapassar 40 anos. As audiências contarão com mais de 80 testemunhas e a defesa de Bolsonaro pediu adiamento, mas o STF quer acelerar o processo para não interferir nas eleições de 2026.
Ex-analista de inteligência do Ministério da Justiça, Clebson Ferreira de Paula Vieira, depôs nesta segunda-feira (19) ao STF sobre a trama golpista de 2022, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele revelou que recebeu ordens para mapear cidades com alta votação em Lula e Bolsonaro, indicando possível uso ilegal de dados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Vieira, que é testemunha da Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que a equipe do ex-ministro Anderson Torres solicitou duas análises após o primeiro turno das eleições. A primeira visava identificar municípios onde os candidatos obtiveram mais de 70% dos votos, enquanto a segunda tratava da distribuição do efetivo da PRF. O depoente expressou estranhamento com tais ordens, considerando o contexto político da época.
Revelações sobre a PRF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou Vieira sobre suas suspeitas. Ele respondeu que, ao observar a movimentação da PRF no dia da eleição, ficou convencido de que os dados que levantou foram utilizados para fins ilegais. “Fiquei apavorado porque vi que uma habilidade técnica minha foi utilizada para uma tomada de decisão ilegal”, afirmou.
O ex-diretor de inteligência da PRF, Adiel Pereira Alcântara, também relatou desconforto com ordens recebidas de superiores. Ele mencionou uma reunião em que foi solicitado apoio para monitorar ônibus e vans de estados específicos com destino ao Nordeste, o que considerou incomum. Alcântara criticou a gestão de Silvinei Vasques, apontando a proximidade deste com o bolsonarismo.
Processo no STF
O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso, que envolve figuras centrais da trama golpista, incluindo Bolsonaro e outros ex-ministros. Eles enfrentam acusações de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão.
As audiências, que contarão com mais de 80 testemunhas, buscam esclarecer os eventos que culminaram na tentativa de golpe. A defesa de Bolsonaro solicitou o adiamento das audiências, alegando falta de acesso a provas, mas o STF busca celeridade no processo para evitar interferências no calendário eleitoral de 2026.
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