Clebson Ferreira de Paula Vieira, ex-analista de inteligência do Ministério da Justiça, declarou em depoimento que recebeu ordens para direcionar a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) antes do segundo turno das eleições de 2022. Ele afirmou que as operações da PRF foram feitas em áreas onde Luiz Inácio Lula da Silva tinha apoio, sugerindo um viés político. Vieira mencionou que a então secretária de Segurança Pública, Marília Ferreira de Alencar, pediu análises sobre a distribuição de agentes e a correlação entre votos em Lula e áreas dominadas por grupos criminosos. Um relatório do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte indicou que as blitze da PRF podem ter atrasado eleitores, especialmente no Nordeste, onde Lula teve mais votos. Durante o segundo turno, a PRF realizou mais de 560 operações, focando nessa região. A defesa do ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, argumentou que as ações seguiram procedimentos normais e foram baseadas em demandas locais. Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da PRF, também confirmou que houve uma orientação para “tomar um lado” nas eleições, o que gerou preocupações sobre a imparcialidade da corporação.
O ex-analista de inteligência da Coordenação-Geral de Inteligência do Ministério da Justiça, Clebson Ferreira de Paula Vieira, declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que recebeu ordens para direcionar a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante as eleições de 2022. As declarações foram feitas em um depoimento no dia dezenove de maio, no qual Vieira afirmou que as operações da PRF visavam redutos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As ordens, segundo Vieira, partiram da então secretária de Segurança Pública, Marília Ferreira de Alencar. Ele relatou que recebeu solicitações para analisar dados de concentração de votos e para elaborar um painel sobre a distribuição de agentes da PRF. Vieira expressou preocupação de que esses dados fossem utilizados para fins eleitorais, percebendo um viés nas demandas que recebia.
Direcionamento das Operações
O ex-coordenador de inteligência da PRF, Adiel Pereira Alcântara, também testemunhou que houve uma orientação para que a PRF “tomasse um lado” nas eleições. Ele mencionou que o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, determinou que a corporação reforçasse as abordagens a ônibus e vans, especialmente aqueles com destino ao Nordeste, onde Lula teve forte apoio.
Um relatório do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) sugere que as blitze da PRF podem ter atrasado a chegada de eleitores aos locais de votação. Durante o segundo turno, a PRF realizou mais de quinhentas operações no Nordeste, fiscalizando 2.185 ônibus entre os dias vinte e oito e trinta de outubro, um número significativamente maior em comparação a outras regiões.
Defesa e Implicações
A defesa de Silvinei Vasques argumentou que as operações da PRF seguiram trâmites normais, baseando-se em demandas locais. No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga se houve uso indevido da PRF para interferir nas eleições. As audiências fazem parte de um processo que envolve oito réus, incluindo Jair Bolsonaro e outros ex-ministros, acusados de tentativa de golpe de Estado.
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