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Esquerda na Bolívia enfrenta crise interna e perde hegemonia política no país

Álvaro García Linera critica a divisão no MAS e a estagnação do governo Arce, alertando para a polarização e a crise econômica na Bolívia.

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A Bolívia se prepara para as eleições presidenciais em agosto de 2024, e Álvaro García Linera, ex-vice-presidente, critica a divisão interna do MAS, partido do atual presidente Luis Arce e do ex-presidente Evo Morales. Linera afirma que o MAS perdeu sua força e que a esquerda na América Latina precisa se atualizar. Ele destaca que a democracia liberal está sendo usada para apoiar o neoliberalismo, não atendendo mais às necessidades sociais. A inclusão social na Bolívia, que ajudou 30% da população, gerou reações negativas entre as elites. Linera também critica a falta de reformas e a estagnação econômica sob a gestão de Arce, que resultou em queda nos salários. Ele vê a polarização interna do MAS como um reflexo de um problema maior na região e acredita que a disputa entre Morales e Arce está dividindo o partido. Apesar do apoio popular de Evo, sua capacidade de mobilização não é mais dominante. Linera sugere que, se Morales não puder concorrer, um novo candidato como Andrónico Rodríguez poderia ser uma opção, mas isso também poderia dividir ainda mais o campo popular.

A três meses das eleições presidenciais na Bolívia, Álvaro García Linera, ex-vice-presidente, critica a divisão interna do MAS (Movimento ao Socialismo) entre Evo Morales e o atual presidente, Luis Arce. Linera destaca a necessidade de um novo ciclo progressista, enfatizando a polarização e a crise econômica que afetam o país.

García Linera, em entrevista à Folha, aponta que o MAS perdeu sua hegemonia e que a esquerda latino-americana precisa se atualizar. Ele observa que a democracia liberal se tornou um instrumento do neoliberalismo, refletindo uma homogeneidade política que não atende mais às demandas sociais. Segundo ele, a crise econômica de 2008 já havia sinalizado problemas que se intensificaram na América Latina.

O ex-vice-presidente ressalta que a inclusão social na Bolívia, que beneficiou cerca de 30% da população, gerou reações adversas entre as elites. Ele critica a apatia do progressismo atual, que não se adapta às novas circunstâncias e não impulsiona reformas necessárias. A gestão de Arce, segundo Linera, tem sido marcada por uma estagnação econômica, com a população enfrentando uma queda no salário real.

Crise e Polarização

A polarização interna no MAS é vista como um reflexo de um problema mais amplo na América Latina. Linera acredita que a falta de entendimento sobre a nova fase do progressismo está levando a um retrocesso social. Ele menciona que a ideia de que o Estado deve administrar riquezas estratégicas, antes amplamente aceita, agora é contestada.

A disputa entre Morales e Arce, segundo Linera, não constrói, mas divide o partido. Ele afirma que, apesar de Evo ainda ter apoio popular, sua capacidade de mobilização não é mais hegemônica. A possibilidade de uma vitória das forças conservadoras nas próximas eleições é considerada alta, dado o atual cenário.

García Linera conclui que a corrida eleitoral pode levar a um segundo turno, dependendo de como as divisões internas forem geridas. Ele sugere que, se Evo Morales não puder concorrer, a indicação de um novo candidato, como Andrónico Rodríguez, pode ser uma alternativa, mas isso também pode dividir o campo popular.

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