O ex-vice-presidente Hamilton Mourão depôs no Supremo Tribunal Federal como testemunha em um processo sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. Ele disse que não sabia de nenhuma tentativa de golpe e culpou o governo Lula pela situação, afirmando que o governo não agiu corretamente no dia dos eventos. Mourão negou ter participado de reuniões sobre um possível golpe e não reconheceu conversas sobre o Peru, que teve uma tentativa de autogolpe em 2022. O procurador-geral da República questionou Mourão sobre as declarações de um tenente-coronel, mas ele não pôde afirmar se o tenente-coronel estava mentindo. Mourão também comentou que o silêncio de algumas lideranças prejudicou a imagem das Forças Armadas. A audiência continuará com depoimentos de outras testemunhas, incluindo o comandante da Marinha e um ex-ministro da Defesa.
BRASÍLIA – O ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) depôs no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, 23, como testemunha em um processo que investiga a tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023. Mourão afirmou desconhecer qualquer intento golpista e atribuiu a responsabilidade pelos eventos ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, alegando inação por parte da administração no dia dos acontecimentos.
Durante a audiência, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, Mourão negou ter participado de reuniões relacionadas a um possível golpe e não reconheceu diálogos sobre o Peru, que enfrentava uma tentativa de autogolpe em 2022. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou Mourão sobre a veracidade das declarações do tenente-coronel Mauro Cid, que também mencionou a conversa. Mourão respondeu que não poderia afirmar que Cid era mentiroso, já que não teve acesso ao que ele disse.
Mourão destacou que a culpa pelos eventos de 8 de janeiro recai sobre o governo Lula, que, segundo ele, não acionou os meios adequados para lidar com a situação. O ex-vice-presidente foi o responsável pelo último discurso da gestão Bolsonaro, no qual pediu aos bolsonaristas que lutassem pela democracia. Ele também mencionou o “silêncio” de algumas lideranças, que, segundo ele, prejudicou a imagem das Forças Armadas.
A audiência deve se estender até a tarde, com depoimentos de outras testemunhas, incluindo o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, e o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo. Olsen, que pediu para ser dispensado, alegou desconhecimento dos fatos em questão, enquanto Rebelo, que já foi ministro em governos petistas, também será ouvido.
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