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ONGs buscam novas soluções após cortes de Trump na ajuda internacional

Cortes na Usaid afetam ONGs no Brasil, suspendendo apoio a refugiados e exigindo reestruturação urgente para garantir assistência essencial.

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Os cortes nas verbas da Usaid, anunciados em janeiro, estão afetando organizações humanitárias no Brasil, como o Acnur e a Cáritas, que ajudam refugiados. A administração Trump decidiu reduzir o financiamento a projetos que tratam de igualdade racial, social e de gênero. Com menos recursos, cerca de 2 mil pessoas perderam apoio, e aproximadamente 4 mil refugiados estão sem assistência básica. A Cáritas Brasileira suspendeu projetos de saneamento e segurança alimentar em Roraima e busca novas parcerias para continuar seu trabalho. A falta de apoio internacional está forçando as ONGs a se reorganizarem, e muitas enfrentam dificuldades para conseguir recursos. Durante um fórum de filantropia, fundações americanas mostraram preocupação com possíveis investigações e perda de incentivos fiscais. Algumas fundações estão aumentando seus repasses para ajudar a compensar os cortes, enquanto especialistas destacam a necessidade de mais recursos para a filantropia no Brasil em um cenário de incertezas.

Anunciados em janeiro, os cortes significativos nas verbas da Usaid (Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional) estão impactando diretamente organizações humanitárias no Brasil, como o Acnur e a Cáritas. Essas mudanças, impulsionadas pela administração Trump, visam reduzir o financiamento a projetos alinhados à agenda “woke”, que abrange questões de igualdade racial, social e de gênero.

Com a redução de recursos, aproximadamente 2 mil pessoas perderam apoio, dificultando a integração de refugiados no país. O representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli, alerta que cerca de 4 mil refugiados estão sem assistência básica. Sem financiamento, estima-se que 29 mil pessoas enfrentarão dificuldades para solicitar asilo e obter documentos legais, além de perderem acesso a serviços de apoio psicossocial.

Reestruturação das ONGs

A Cáritas Brasileira, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), suspendeu repasses para projetos de saneamento e segurança alimentar em Roraima. Indi Gouveia, coordenadora nacional da Cáritas, afirma que, apesar das dificuldades, a organização está buscando parcerias e doações para reabrir suas instalações e oferecer refeições.

Franklin Félix, coordenador da Abong (Associação Brasileira de ONGs), destaca que a falta de apoio internacional exige uma reorganização das ONGs. Muitas enfrentam dificuldades para obter recursos nacionais ou privados. A resiliência das organizações brasileiras é notável, segundo Paula Fabiani, CEO do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social).

Desafios e Oportunidades

Durante o Fórum Global de Filantropia, realizado em março no Vale do Silício, observou-se um clima de incerteza entre fundações americanas, que temem investigações e perda de incentivos fiscais. Amalia Fischer, diretora do fundo ELAS+, ressalta a resiliência latino-americana diante de crises. Ela expressa preocupação com a possível perda de investimentos em ações contra o racismo e a LGBTfobia.

Paula Fabiani acredita que mudanças na narrativa podem ajudar as ONGs a superar essa fase. Algumas fundações estão aumentando repasses e utilizando parte de seus fundos patrimoniais para compensar os cortes. O 13º Congresso do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), realizado em Fortaleza, enfatizou a necessidade de um volume maior de recursos financeiros para a filantropia brasileira, especialmente em um cenário de incertezas na cooperação internacional.

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