Mónica Baltodano, uma ex-comandante guerrilheira da Nicarágua, lançou um livro em Guatemala sobre a luta contra a ditadura de Somoza. Ela destacou a importância de lembrar a história e a participação do povo na insurreição, além de criticar como o governo atual reescreve essa história. Baltodano, que foi perseguida pelo regime de Daniel Ortega e perdeu sua nacionalidade, conversou sobre eventos marcantes da revolução, como o assassinato do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, que mobilizou a população contra a ditadura. Seu livro, que faz parte de uma série maior sobre a luta sandinista, é baseado em entrevistas e pesquisa histórica. Ela enfatizou que a verdadeira mudança social depende da organização popular e que a história deve ser contada de forma justa, sem distorções. Baltodano também lembrou de um amigo guerrilheiro que morreu após ser preso pelo regime, ressaltando a importância do companheirismo na luta.
Mónica Baltodano, ex-comandante guerrilheira da Nicarágua, lançou um livro em Guatemala sobre a luta contra a ditadura de Somoza. O evento ocorreu na manhã de sábado, na livraria Sophos, durante o festival Centroamérica Cuenta. Baltodano, que foi perseguida pelo regime de Daniel Ortega, enfatizou a importância da memória histórica e da participação popular na insurreição.
O livro, intitulado *El pueblo contra la dictadura*, é uma combinação de memória e uma cronologia dos eventos que marcaram a luta contra o somocismo. Baltodano fez um apelo à juventude, pedindo que analisem criticamente o sacrifício de muitos nicaraguenses que lutaram pela liberdade. “Não podemos apagar a generosidade de quem deu a vida pela causa”, afirmou.
Durante a apresentação, Baltodano e o jornalista Carlos Fernando Chamorro discutiram o impacto do assassinato do pai de Chamorro, Pedro Joaquín Chamorro, em 1978. Este evento foi um marco que mobilizou a população contra a ditadura. Baltodano destacou que a morte de Pedro Joaquín gerou uma onda de protestos e uma mobilização irreversível que envolveu jovens em diversas formas de resistência.
Análise Histórica
O livro analisa a história da Nicarágua entre 1978 e 1979 e faz parte de uma obra mais ampla sobre a luta sandinista. Baltodano começou a escrever após entrevistas com diversos protagonistas da revolução, incluindo trabalhadores e jornalistas. Ela ressaltou a importância de fontes confiáveis, afirmando que a memória oral pode ser enganosa.
“O povo é o fator determinante para mudanças profundas em uma sociedade”, disse Baltodano. A obra é dedicada a Hugo Torres, um guerrilheiro que faleceu em 2022 após ser preso pelo regime de Ortega. Baltodano compartilhou uma anedota sobre Torres, destacando o valor do companheirismo durante a luta.
A ex-comandante também criticou a reescrita da história pelo atual regime. Ela observou que figuras como Ortega não tiveram o protagonismo que o governo atual tenta atribuir a eles. Baltodano concluiu que é essencial manter viva a memória histórica, especialmente em tempos de novas opressões, e que a organização popular é crucial para a luta por mudanças.
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