Testemunhas disseram ao STF que Jair Bolsonaro se afastou do ex-ministro Augusto Heleno na segunda metade de seu mandato. Esse afastamento é parte das investigações sobre uma suposta trama golpista em 2022. Um ex-assessor de Heleno afirmou que a diminuição das reuniões entre eles ocorreu após Bolsonaro se filiar ao PL e que Heleno se opôs à maioria no Congresso. Outro ex-assessor disse que Heleno continuou a trabalhar normalmente, sem tratar de questões políticas. Além disso, o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu as falas de Bolsonaro sobre fraudes nas urnas em uma reunião ministerial de julho de 2022, afirmando que o presidente estava pedindo empenho aos ministros para evitar o retorno de um grupo político ao poder. Queiroga destacou que as declarações de Bolsonaro eram típicas de sua forma de se comunicar.
Testemunhas afirmaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Jair Bolsonaro se afastou do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, na segunda metade de seu mandato. As declarações foram feitas durante as audiências sobre a suposta trama golpista de 2022. O objetivo da defesa é distanciar Heleno das alegações de tentativas de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
O capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Ibsen Pennaforte de Campos, que foi chefe de gabinete de Heleno, destacou que houve uma diminuição nas reuniões entre Bolsonaro e o general. Ele não soube precisar a data exata, mas afirmou que essa redução ocorreu na segunda metade do mandato. O ex-assessor especial de comunicação e imprensa do GSI, Amilton Coutinho Ramos, atribuiu o afastamento a questões partidárias, mencionando a filiação de Bolsonaro ao PL.
Ramos também observou que Heleno manifestou resistência à corrente majoritária no Congresso, o que resultou em seu menor espaço no gabinete presidencial. As testemunhas relataram que, após a derrota nas eleições, Heleno continuou a despachar normalmente e não tratou de questões relacionadas a um golpe.
Defesas de Queiroga
Na mesma audiência, o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu as falas de Bolsonaro sobre fraudes nas urnas durante uma reunião ministerial em julho de 2022. Queiroga afirmou que o presidente fez uma fala assertiva, convocando os ministros a se empenharem no governo. Ele ressaltou que todos os presentes acreditavam no projeto de Bolsonaro e que não poderiam permitir o retorno do grupo que voltou ao poder.
Durante a reunião, Bolsonaro teria solicitado que seus auxiliares repetissem alegações sobre fraudes nas urnas eletrônicas e mencionado a possibilidade de mobilizar o Exército. Queiroga caracterizou as declarações do ex-presidente como uma liderança política firme, alinhada ao padrão de Bolsonaro em outras ocasiões.
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