Saulo Moura da Cunha, ex-diretor da Abin, disse ao Supremo Tribunal Federal que a agência monitorou o aumento de manifestantes bolsonaristas antes dos ataques de 8 de janeiro em Brasília, mas não recebeu informações de outros órgãos. Ele afirmou que, nos dias que antecederam os ataques, a Abin emitiu relatórios sobre a chegada de ônibus com manifestantes e que, até o dia 6, não tinha uma ideia clara da magnitude da manifestação, mas no dia 7 já havia indícios de que seria grande. Cunha explicou que a Abin não recebeu dados sobre os acampamentos que alimentaram o protesto e que, até a manhã do dia 8, sabia que os manifestantes marchariam em direção à Esplanada dos Ministérios. Ele também mencionou que o Ministério da Justiça, liderado por Flávio Dino, deveria repassar os alertas de inteligência, mas não confirmou se isso realmente aconteceu. O depoimento de Cunha foi o último da fase de defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e as investigações sobre os eventos de 8 de janeiro continuam.
Ex-diretor da Abin revela falhas na comunicação sobre os ataques de 8 de janeiro
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha, depôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a agência monitorou o aumento do fluxo de manifestantes bolsonaristas antes dos ataques em Brasília, mas não recebeu informações de outros órgãos. O depoimento ocorreu no dia 27 de setembro de 2023, durante o julgamento de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.
Cunha detalhou que, nos dias que antecederam os ataques, a Abin emitiu relatórios sobre a chegada de ônibus com manifestantes. “Do dia 6 para o dia 7 de janeiro, recebemos alertas da ANTT sobre o aumento do fluxo em direção a Brasília,” afirmou. Ele destacou que, até o dia 6, a agência não tinha capacidade de avaliar a magnitude da manifestação, mas no dia 7 já havia indícios de que o ato seria de grande porte.
Alertas e Monitoramento
O ex-diretor explicou que a Abin não recebeu dados de inteligência sobre os acampamentos bolsonaristas que alimentaram o protesto. “Estávamos monitorando a situação, mas não recebemos informações de outros órgãos,” disse. Ele mencionou que, até a manhã do dia 8, a Abin tinha conhecimento de que os manifestantes marchariam em direção à Esplanada dos Ministérios.
Cunha também ressaltou que o Ministério da Justiça, sob a liderança de Flávio Dino, era responsável por repassar os alertas de inteligência a outros órgãos, incluindo a segurança pública do Distrito Federal. No entanto, ele não pôde confirmar se essas informações foram efetivamente compartilhadas.
Desdobramentos do Depoimento
O depoimento de Cunha foi o último da fase de defesa de Torres. Antes dele, outros testemunhos indicaram que a Polícia Federal não conseguiu impedir o fluxo de veículos de transporte durante o segundo turno das eleições de 2022. O julgamento continua com novos depoimentos de ex-integrantes da gestão Bolsonaro, enquanto as investigações sobre os eventos de 8 de janeiro seguem em andamento.
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