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Governo revisa modelagem financeira para retomar obras da usina nuclear Angra 3

Governo brasileiro precisa reestruturar financiamento de Angra 3 após saída da Eletrobras, com custos estimados em R$ 21 bilhões.

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O governo brasileiro está discutindo a retomada das obras da usina nuclear Angra 3, que estão paradas desde as investigações da Operação Lava Jato. O custo total para concluir a usina é estimado em R$ 21 bilhões. Com a saída da Eletrobras do projeto, o governo precisa revisar a modelagem financeira e decidir como será o novo aporte público necessário para continuar as obras. O BNDES já havia feito um estudo sobre o projeto, mas agora será necessário um novo estudo, pois as condições mudaram. O presidente da Eletronuclear, Ricardo Lycurgo, destacou que a Eletrobras, antes responsável por parte do investimento, não está mais no projeto, o que significa que a ENBPar terá que arcar com os custos sozinha. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é a favor da conclusão da usina, argumentando que o governo já gastou R$ 11 bilhões e que parar o projeto pode resultar em perdas financeiras significativas. No entanto, há resistência de outros ministérios, e especialistas alertam que projetos de infraestrutura costumam ter custos e prazos que mudam ao longo do tempo. Grupos contrários à energia nuclear também criticam o projeto, apontando riscos e altos custos.

O governo brasileiro está revisando a modelagem financeira da usina nuclear Angra 3, com custo total estimado em R$ 21 bilhões. A necessidade de ajustes surge após a saída da Eletrobras do projeto, que ocorreu após um acordo com a União. A Eletrobras, privatizada em 2022, não demonstrou interesse em continuar os investimentos.

O presidente da Eletronuclear, Ricardo Lycurgo, destacou que o estudo anterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) previa um aporte de 10% de capital próprio e 90% de dívida. Com a saída da Eletrobras, a responsabilidade financeira recai sobre a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), que agora precisa avaliar se há orçamento disponível para o projeto.

Ajustes Necessários

Lycurgo afirmou que é crucial entender as novas premissas do governo para que o BNDES possa ajustar os números do projeto. O novo estudo será fundamental para uma nova discussão no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Ele mencionou que, embora o BNDES já tenha realizado um trabalho anterior, as condições mudaram e exigem uma reavaliação.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um defensor da conclusão de Angra 3. Ele argumenta que o governo gasta cerca de R$ 200 milhões anualmente apenas com a manutenção dos equipamentos já adquiridos. O investimento já realizado na usina é de aproximadamente R$ 11 bilhões, e a interrupção das obras pode resultar em perdas significativas para a ENBPar e a União.

Controvérsias e Desafios

Entretanto, a proposta enfrenta resistência. Os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente já se manifestaram contra o empreendimento. O engenheiro Jerson Kelman alertou que apenas 0,5% dos projetos de infraestrutura são concluídos dentro do prazo e orçamento. Além disso, a Articulação Antinuclear Brasileira (AAB) critica o projeto, considerando-o obsoleto e arriscado para o meio ambiente.

A discussão sobre a continuidade das obras de Angra 3 permanece em aberto, com a expectativa de que o novo estudo do BNDES traga clareza sobre os próximos passos a serem tomados.

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