A comunidade dominicana em Porto Rico está enfrentando uma situação difícil devido a operações de imigração que resultaram na detenção de 445 pessoas, principalmente dominicanos. Essas ações, que começaram em janeiro sob a administração Trump, geraram medo e insegurança, afetando a vida cotidiana e a saúde mental da comunidade. Muitas pessoas pararam de ir ao supermercado e até de buscar atendimento médico por medo de serem detidas. As escolas também sentiram o impacto, com uma queda significativa na frequência de alunos, especialmente em áreas com muitos imigrantes. Para ajudar, a Igreja Metodista de San Pablo, liderada pela pastora Nilka Marrero, tem distribuído alimentos e oferecido apoio legal e psicológico. Apesar das dificuldades, a comunidade continua a se unir para enfrentar a crise, enquanto o governo local não toma medidas efetivas para proteger os imigrantes.
A comunidade dominicana em Porto Rico enfrenta uma crescente repressão devido a políticas de imigração da administração Trump. Recentes operações resultaram na detenção de 445 indivíduos, principalmente dominicanos, gerando medo e insegurança na população local.
As ruas de Barrio Obrero, em San Juan, estão quase desertas. O pastor Nilka Marrero, que atua na região há mais de uma década, relata que a vida cotidiana foi drasticamente afetada. “É uma cidade sob cerco,” afirma, referindo-se ao clima de terror que permeia a comunidade. As operações de imigração têm silenciado a área, onde muitos imigrantes evitam sair de casa até para fazer compras.
Desde janeiro, as autoridades realizaram várias operações, incluindo uma que resultou na detenção de 47 pessoas em um único dia. Cerca de 72% dos detidos são cidadãos dominicanos. A maioria das detenções é administrativa, e apenas uma fração está relacionada a crimes. A situação tem impactado não só os imigrantes, mas também a saúde mental da comunidade, com escolas e serviços médicos sendo severamente afetados.
Impacto na Saúde e Educação
A ausência de imigrantes nas escolas aumentou, com taxas de ausência chegando a 70% em áreas com alta concentração de estudantes dominicanos. O Departamento de Educação de Porto Rico implementou um protocolo para proteger as escolas de intervenções de agentes federais, mas a insegurança persiste. “É uma situação aterrorizante,” diz Mercedes Martínez, presidente da Federação de Professores de Porto Rico.
Além disso, a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) tem trabalhado para oferecer assistência à comunidade imigrante. Iniciativas incluem serviços de saúde e uma linha de apoio para orientar imigrantes sobre suas opções. “Muitos não estão indo ao médico por medo de serem detidos,” explica Dr. Carlos Díaz-Vélez, presidente do Colégio de Cirurgiões de Porto Rico.
Resposta do Governo Local
O governo local, liderado pela governadora Jenniffer González, não tem tomado medidas significativas contra as políticas de imigração de Trump. A governadora, que inicialmente afirmou que as políticas não afetariam a comunidade, agora admite que Porto Rico não pode ignorar as diretrizes federais. Um projeto de lei que visa proteger locais sensíveis, como escolas e hospitais, está em discussão, mas seu futuro é incerto.
Enquanto isso, a comunidade continua a se mobilizar. A Igreja Metodista de San Pablo, onde o pastor Marrero atua, oferece alimentos e serviços de apoio, incluindo assistência legal e psicológica. “Estamos aqui para ajudar,” conclui Marrero, ciente de que a luta pela dignidade e segurança dos imigrantes em Porto Rico está longe de terminar.
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