Cidades brasileiras com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) enfrentam sérios problemas, como desigualdade social e falta de serviços básicos. Um levantamento mostrou que das 20 cidades com os piores IDHs, 15 não receberam emendas parlamentares nos últimos anos. Melgaço, no Pará, é a mais pobre, com um IDH de 0,418, e recebeu apenas R$ 500 mil em emenda para saúde no ano passado. Enquanto isso, Gurupá, cidade vizinha, recebeu R$ 9,3 milhões, devido ao alinhamento político da prefeita com o governador. Especialistas afirmam que a distribuição de recursos não segue a lógica da necessidade, beneficiando cidades com prefeitos próximos a deputados. Em Alagoas, Inhapi, que também é pobre, recebeu apenas R$ 900 mil, enquanto Delmiro Gouveia, com um IDH melhor, recebeu R$ 9 milhões. Algumas cidades estão há anos sem receber recursos, como Bagre, no Pará. A falta de emendas prejudica ainda mais essas localidades, que muitas vezes não conseguem arrecadar impostos. Além disso, a forma como os recursos são transferidos pode ser pouco transparente, dificultando a prestação de contas. Cidades como Alvorada de Minas e Araioses também não têm recebido atenção dos congressistas, enfrentando problemas graves de acesso à água e saneamento.
Cidades brasileiras com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) enfrentam sérios problemas sociais e estruturais. Um levantamento recente revela que das 20 cidades com os piores IDHs, 15 não receberam emendas parlamentares nos últimos 12 meses. Melgaço, no Pará, é a mais afetada, com um IDH de apenas 0,418.
Os dados, coletados pelo GLOBO a partir do Portal da Transparência, mostram que os últimos repasses ocorreram até junho de 2024, e a maioria não ultrapassou R$ 1 milhão. Melgaço, que depende da agricultura de subsistência e enfrenta problemas como analfabetismo e isolamento geográfico, recebeu apenas R$ 500 mil em abril do ano passado, destinado ao Fundo Municipal de Saúde.
Desigualdade nos repasses
Em contraste, cidades politicamente alinhadas ao governo recebem maiores recursos. Gurupá, vizinha a Melgaço, com IDH de 0,509, recebeu R$ 9,3 milhões em emendas no mesmo período. A prefeita Iracilda Alho (MDB) é aliada do governador Helder Barbalho (MDB), o que, segundo Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), influencia a destinação das verbas.
A professora afirma que “as emendas nem sempre seguem a lógica da necessidade real”, resultando em cidades pobres sendo sistematicamente preteridas. O GLOBO tentou contato com o prefeito de Melgaço, Zé Viegas (MDB), que não retornou as ligações.
Recursos escassos
Entre junho de 2024 e maio de 2025, o Brasil destinou R$ 28 bilhões em emendas, mas as cinco cidades com os piores IDHs receberam apenas R$ 20 milhões, representando 0,09% do total. Em Alagoas, Inhapi, com IDH de 0,509, também enfrenta dificuldades. Apenas 40,05% da população tem acesso à água encanada e 2,16% à rede de esgoto. A última emenda recebida foi de R$ 900 mil, em maio do ano passado.
Cidades como Bagre, no Pará, não recebem recursos federais desde 2018. A escassez de emendas é uma realidade que se estende a outras localidades, como Alvorada de Minas (MG) e Araioses (MA), que não foram contempladas desde 2023. A falta de recursos compromete a qualidade de vida e a saúde pública dessas populações.
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