O Brasil enfrenta dificuldades de mobilidade social, o que gera frustração entre as pessoas, especialmente aquelas que nasceram na década de 1980, quando o país se redemocratizou. Essa frustração pode levar a um desencanto com a política e a uma busca por soluções rápidas, muitas vezes promovidas por discursos de direita e extrema-direita. Especialistas afirmam que a falta de perspectivas para as novas gerações, agravada pelas mudanças tecnológicas, faz com que muitos olhem para o passado como uma época melhor. A política, que exige tempo e debate para encontrar soluções, não consegue atender a essa demanda imediata. Enquanto isso, o campo progressista parece estagnado, enquanto a extrema-direita se mobiliza mais, oferecendo propostas que parecem mais promissoras. Essa situação reflete um fenômeno global, onde países enfrentam riscos de autocracias, e o Brasil não está imune a isso.
O Brasil enfrenta um cenário de frustração e desencanto com a política, refletindo a dificuldade de mobilidade social nas últimas décadas. Cientistas políticos apontam que essa insatisfação, especialmente entre aqueles nascidos na década de 1980, pode favorecer discursos de direita e extrema-direita.
A análise do Atlas de Mobilidade Social revela que a percepção negativa sobre a política está ligada à falta de perspectivas de melhoria na vida das pessoas. Carlos Melo, professor do Insper, destaca que a realidade atual gera uma sensação de impotência, levando muitos a olharem para o passado como uma época de melhores oportunidades. Ele menciona o conceito de “Retrotopia”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que sugere que a utopia é vista como algo perdido.
Camila Rocha, diretora Científica do Centro para Imaginação Crítica no Cebrap, observa que a estagnação no campo progressista contribui para um sentimento de antipolítica. Ela afirma que, enquanto a extrema-direita mobiliza seus eleitores com promessas de soluções rápidas, o campo democrático parece paralisado diante das demandas sociais.
A busca por alternativas rápidas, como investimentos em Bitcoin e novas formas de geração de renda, reflete a insatisfação com o mercado de trabalho formal. Melo também alerta para um fenômeno global, onde autocracias estão emergindo em diversos países, e o Brasil corre o risco de seguir essa tendência.
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