Um juiz no Chile começou a processar pessoas envolvidas no roubo de bebês durante a ditadura de Augusto Pinochet, que ocorreu de 1973 a 1990. Milhares de bebês foram tirados de suas mães e vendidos para adoção, principalmente para casais estrangeiros. O juiz Alejandro Aguilar Brevis identificou uma rede que incluía profissionais de saúde, padres e advogados que ajudavam a roubar os bebês de mães pobres, vendendo-os por até 50 mil dólares. Ele emitiu mandados de prisão para cinco pessoas, acusando-as de associação criminosa e sequestro. O governo chileno também pediu a extradição de um ex-juiz que vive em Israel e que estaria envolvido. O juiz afirmou que esses crimes não têm prazo de prescrição, pois são considerados crimes contra a humanidade. O presidente Gabriel Boric anunciou a criação de um banco de dados genético para ajudar na busca por famílias separadas. Organizações não governamentais já documentaram milhares de casos de bebês roubados e ajudaram muitas pessoas a se reencontrarem com suas mães biológicas.
Um juiz chileno iniciou a primeira ação judicial contra indivíduos envolvidos no roubo de bebês durante a ditadura de Augusto Pinochet. Os mandados de prisão foram emitidos, e os crimes foram classificados como contra a humanidade, sem prazo de prescrição.
Durante o regime militar, entre mil novecentos e setenta e três e mil novecentos e noventa, milhares de bebês foram retirados de suas mães e vendidos para adoção, principalmente para casais estrangeiros. O juiz Alejandro Aguilar Brevis, do Tribunal de Apelações de Santiago, revelou que, na década de oitenta, uma rede composta por profissionais de saúde, padres católicos, advogados e assistentes sociais atuava na entrega de bebês de mães em situação de vulnerabilidade.
A investigação, centrada na cidade de San Fernando, envolve dois casos específicos de bebês que foram entregues a casais estrangeiros. O esquema visava o lucro, com valores de até US$ 50 mil por cada adoção ilegal. Os cinco indivíduos acusados enfrentam charges por associação criminosa, sequestro de crianças e má conduta.
O governo chileno solicitou a extradição de um ex-juiz de família que reside em Israel e que supostamente participou do esquema. O juiz argumentou que a prescrição não se aplica, pois os crimes foram cometidos sob um regime militar e devem ser punidos conforme a Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
A investigação foi anunciada um dia após o presidente do Chile, Gabriel Boric, divulgar o relatório final de um grupo de trabalho sobre os casos de bebês roubados. O governo planeja criar um banco de dados genético para facilitar a busca por famílias e promover a reunificação.
Constanza del Río, fundadora da ONG Nos Buscamos, expressou otimismo cauteloso em relação aos avanços nas investigações, destacando que a busca pela verdade tem sido lenta e muitas vezes revitimiza as vítimas. Desde dois mil e quatorze, diversas histórias de reunificação entre mães e filhos têm sido documentadas, com a ONG ajudando a conectar mais de seiscentas famílias.
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