- O tenente-coronel Mauro Cid depôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Cid afirmou que Bolsonaro e o general Braga Netto esperavam encontrar fraudes nas urnas eletrônicas das eleições de 2022 para justificar uma intervenção militar.
- O Ministério da Defesa, sob comando do general Paulo Sérgio, formou um grupo para investigar o sistema eleitoral, mas não encontrou evidências de irregularidades.
- Cid destacou que Bolsonaro pressionou por um relatório mais contundente, mas a conclusão das Forças Armadas foi técnica e sem comprovação de fraudes.
- O STF iniciou os interrogatórios dos réus envolvidos na tentativa de deslegitimar o resultado das eleições, com Cid sendo o primeiro a depor.
O tenente-coronel Mauro Cid, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto tinham a expectativa de encontrar fraudes nas urnas eletrônicas nas eleições de 2022. Segundo Cid, essa busca por irregularidades visava justificar uma intervenção militar no processo de transição de governo, que não ocorreu devido à ausência de vulnerabilidades detectadas.
Cid, que foi ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmou que a pressão do ex-presidente sobre o Ministério da Defesa, então comandado pelo general Paulo Sérgio, era significativa. O ministério formou um grupo para investigar o sistema eleitoral, mas não encontrou evidências de fraudes. “A expectativa era que fosse encontrada uma fraude nas urnas”, disse Cid, enfatizando que Bolsonaro sempre buscou indícios de irregularidades.
Pressão e Documentação
O tenente-coronel também confirmou que Bolsonaro desejava um relatório “mais contundente” do Ministério da Defesa. A conclusão do documento produzido pelas Forças Armadas foi considerada técnica, mas Bolsonaro queria uma abordagem mais política. Cid destacou que, apesar da pressão, não houve comprovação de fraudes. “Não conseguiu se provar nada”, afirmou.
O STF iniciou a fase de interrogatórios dos réus envolvidos na trama golpista, com Cid sendo o primeiro a depor. O relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, e o ministro Luiz Fux acompanharam a sessão, que contou com a presença dos réus, exceto o ex-ministro Braga Netto, que participou por videoconferência devido à prisão preventiva. Os depoimentos visam esclarecer os eventos que cercaram as alegações de fraude nas eleições de 2022.
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