O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, foi interrogado pelo Supremo Tribunal Federal sobre sua suposta participação em um plano golpista relacionado à posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o depoimento, Garnier negou ter oferecido suas tropas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que participou de uma reunião no Palácio da Alvorada, onde discutiu segurança pública e um decreto de Garantia da Lei e da Ordem, mas não houve deliberações sobre ações golpistas. No entanto, o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, contradisse Garnier, dizendo que ele concordou em apoiar o plano golpista. Garnier também se defendeu de acusações sobre a prisão de ministros do STF e minimizou a presença de blindados em momentos críticos. A investigação continua, com outros envolvidos já prestando depoimento, e a Procuradoria-Geral da República acusa Garnier de crimes que podem resultar em penas de até 40 anos de prisão.
O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde negou ter apoiado um plano golpista que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a audiência, realizada em 10 de outubro, Garnier afirmou que não colocou suas tropas à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ex-comandante confirmou ter participado de uma reunião no Palácio da Alvorada, onde foram discutidos aspectos do cenário político e social após as eleições de 2022. Ele mencionou que o tema da segurança pública e a possibilidade de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foram abordados, mas negou que houvesse deliberações sobre ações golpistas. “Não houve deliberações, e o presidente não abriu a palavra para nós”, declarou Garnier.
Contradições nos Depoimentos
As declarações de Garnier foram contestadas pelo ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, que afirmou que Garnier concordou em colocar suas tropas à disposição de Bolsonaro para o plano golpista. Baptista Júnior também indicou que Garnier tinha uma posição isolada em relação a outros generais, como o ex-comandante do Exército, Freire Gomes.
Garnier, que foi comandante da Marinha entre 2021 e 2022, também se defendeu de acusações de envolvimento em um esquema golpista. Ele ressaltou que não se lembrava de discussões sobre a prisão de ministros do STF e minimizou a presença de blindados na Esplanada dos Ministérios em momentos críticos.
Desdobramentos da Investigação
A investigação sobre a suposta trama golpista continua, com outros réus, como Mauro Cid e Alexandre Ramagem, já prestando depoimento. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Garnier de vários crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado, com penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão. O depoimento de Garnier é parte de uma nova fase do processo, que busca esclarecer as interações entre os militares e o ex-presidente Bolsonaro.
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