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Candomblecista busca asilo nos EUA e destaca liderança do RS na fé afro

Corte americana ignora concentração de religiões afro no Sul e nega asilo a casal candomblecista, sugerindo mudança para o Nordeste.

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A Corte de Apelações do Nono Circuito, na Califórnia, negou asilo a um casal candomblecista que alegou perseguição religiosa no Brasil e sugeriu que eles se mudassem para o Nordeste, ignorando que o Rio Grande do Sul tem a maior concentração de praticantes de religiões de matriz africana no país. O casal, que estava com o filho, disse ter sofrido perseguições em Goiás, mas os juízes acharam que o governo brasileiro poderia garantir a segurança deles. Dados do Censo 2022 mostram que 3,2% da população do Rio Grande do Sul pratica umbanda e candomblé, bem acima da média nacional de 1%. Em Viamão, esse número chega a 9,3%. Especialistas afirmam que essa concentração é resultado da resistência cultural e da mobilização de terreiros. O estado também é conhecido por sua atuação política, tendo criado um conselho estadual de direitos do povo de terreiro em 2014. Apesar da visibilidade, a intolerância religiosa continua, com 3.853 denúncias de violência religiosa no Brasil em 2024, um aumento de 80% em relação ao ano anterior. A decisão da Justiça americana gerou críticas por reforçar estereótipos e ignorar a diversidade religiosa no Brasil, com pesquisadores destacando que a visão do Nordeste é simplista e não reflete a realidade.

O Rio Grande do Sul, conhecido por ter a maior proporção de praticantes de religiões de matriz africana no Brasil, foi ignorado em uma decisão da Justiça dos Estados Unidos. A Corte de Apelações do Nono Circuito, na Califórnia, negou asilo a um casal candomblecista que alegou perseguição religiosa e sugeriu que se mudassem para o Nordeste.

O casal, que se apresentou com o filho menor, argumentou ter sofrido perseguições em Goiás e buscava proteção. No entanto, os juízes consideraram que o governo brasileiro poderia oferecer segurança e recomendaram a mudança de região. “O candomblé é popular e celebrado no Nordeste do Brasil”, afirmaram os magistrados, desconsiderando dados que mostram a concentração dessas religiões no Sul.

Dados do Censo 2022 revelam que o Rio Grande do Sul possui 3,2% de praticantes de umbanda e candomblé, superando a média nacional de 1%. Em Viamão, esse índice chega a 9,3%. Especialistas apontam que essa concentração é resultado de uma resistência cultural e da mobilização de terreiros, que combatem o apagamento da população negra.

A articulação religiosa no estado também possui uma forte dimensão política. Em 2014, o Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a criar um conselho estadual de direitos do povo de terreiro, mobilizando mais de 5.000 casas religiosas. Durante as enchentes de 2024, os terreiros atuaram na linha de frente da reconstrução, organizando redes solidárias e reivindicando apoio do poder público.

Apesar da alta visibilidade das religiões afro no estado, a intolerância religiosa persiste. Em 2024, o Brasil registrou 3.853 denúncias de violência religiosa, um aumento de 80% em relação ao ano anterior. Porto Alegre, berço do Dia da Consciência Negra, abriga cerca de 65 mil terreiros e é referência nacional nas religiões de matriz africana.

A decisão da Justiça americana gerou críticas por reforçar estereótipos e ignorar a complexidade da distribuição religiosa no Brasil. Pesquisadores afirmam que o julgamento se baseia em uma visão folclórica do Nordeste, desconsiderando a pluralidade das religiões afro. “Religião não tem CEP”, resume a pesquisadora Carolina Rocha.

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