O governo brasileiro gasta R$ 174,8 milhões por ano com aluguéis e despesas de residências oficiais em 188 postos diplomáticos, sendo que mais da metade desse valor vai para aluguéis e taxas de condomínio. Recentemente, a embaixadora do Brasil na Suécia gerou polêmica ao morar em um imóvel histórico que custa R$ 2,47 milhões por ano, incluindo aluguel e custos com funcionários e segurança. O Itamaraty defende que a escolha dos imóveis é baseada em critérios de necessidade e que essas residências são usadas para eventos oficiais. Apesar de a Suécia não ser um grande parceiro comercial do Brasil, a embaixada justifica a localização do imóvel. Especialistas criticam os altos gastos em cidades menos relevantes e pedem mais transparência nas contratações de funcionários, que custam cerca de R$ 77 milhões por ano. O Itamaraty afirma que as contratações são analisadas individualmente, considerando a situação de cada local.
Aluguéis e despesas com residências oficiais de embaixadores brasileiros no exterior custam anualmente R$ 174,8 milhões aos cofres públicos. A informação foi revelada por meio de um levantamento baseado na Lei de Acesso à Informação, que mostra que mais da metade desse valor (R$ 87,8 milhões) é destinado a aluguéis e taxas de condomínio.
Recentemente, a embaixadora do Brasil na Suécia, que reside em um imóvel histórico, gerou polêmica ao custar R$ 2,47 milhões por ano ao governo. O casarão, chamado Villa Mullberget, foi construído no século XIX e está localizado em um bairro nobre de Estocolmo, a 25 minutos da embaixada. O aluguel anual é de US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,4 milhão), além dos custos com três funcionários e serviços de segurança.
Custos e Justificativas
O Itamaraty defende que a escolha de imóveis para residências oficiais é feita com base em critérios de necessidade, como localização e padrão de representação. A pasta afirma que essas residências também servem para eventos oficiais, como reuniões e recepções. Apesar de a Suécia ocupar apenas o 53º lugar nas exportações brasileiras, a embaixada justifica a escolha do imóvel por sua localização em uma área com outras embaixadas e museus.
Entre as residências que mais consomem recursos, destacam-se locais de alta relevância, como Buenos Aires e Washington, mas também cidades de menor importância, como Praga e Viena. O aluguel da residência em Praga, por exemplo, é de R$ 1,26 milhão por ano, enquanto em Viena, os custos anuais chegam a R$ 1,7 milhão.
Críticas e Sugestões
Especialistas, como o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, sugerem que o Itamaraty deve estabelecer uma hierarquia nas representações, evitando gastos excessivos em locais de menor relevância. Para ele, a presença em cidades como Estocolmo não justifica os altos custos. O cientista político Moisés Marques também critica a falta de austeridade em postos diplomáticos menos significativos.
Além dos aluguéis, o Itamaraty gasta cerca de R$ 77 milhões por ano com 544 funcionários que mantêm as residências oficiais. A transparência nas contratações é uma preocupação levantada por especialistas, que pedem mais clareza sobre os gastos. O Itamaraty, por sua vez, afirma que as contratações são analisadas caso a caso, levando em conta a realidade socioeconômica de cada local.
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