A governadora de Porto Rico, Jenniffer González-Colón, decidiu reverter leis que promoviam energia limpa, permitindo que a usina de carvão da AES em Guayama continue operando. Essa mudança ignora a demanda crescente por energia renovável e agrava problemas de saúde na região, onde os casos de câncer aumentaram 88% desde a abertura da usina. A planta, que está perto da Floresta Estadual Aguirre, tem sido criticada por poluir o ar e a água, e uma investigação em 2018 mostrou que a AES não monitorava a poluição adequadamente. A nova legislação também elimina metas de energia renovável, mantendo apenas um objetivo de 100% até 2050, enquanto a dependência de combustíveis fósseis cresce com planos para novas usinas a gás. A privatização do sistema elétrico e a parceria com a New Fortress Energy para importar gás natural levantam preocupações sobre a segurança energética. Apesar do aumento de casas com painéis solares, a falta de investimentos em grandes projetos de energia renovável e a fiscalização federal dificultam a transição energética, enquanto a população enfrenta altos custos de energia e apagões frequentes. A situação em Guayama reflete a luta de Porto Rico contra a poluição e a busca por um futuro energético sustentável.
A governadora de Porto Rico, Jenniffer González-Colón, reverteu recentemente leis de energia limpa, permitindo a continuidade da usina de carvão da AES em Guayama. Essa decisão ignora a crescente demanda por fontes renováveis e agrava a crise de saúde pública na região.
A usina de carvão, que opera há quase 25 anos, está associada a um aumento alarmante de casos de câncer e doenças respiratórias na população local. Desde a abertura da planta, os casos de câncer em Guayama aumentaram em 88%, passando de 167 em 2003 para 209 em 2022. Carmen Suárez Vázquez, moradora da área, relata que a poluição afeta diretamente sua saúde e a de sua família, resultando na morte de seu filho Edgardo, vítima de um raro tipo de câncer.
A usina, localizada próxima ao Aguirre State Forest, tem sido alvo de críticas devido à contaminação do ar e da água. Em 2018, uma investigação revelou que a AES não monitorava adequadamente os níveis de poluição. A situação se agravou após o furacão Maria, quando a usina teve suas pilhas de cinzas tóxicas espalhadas pela região.
Reversão das Leis de Energia Limpa
A nova legislação aprovada pela governadora elimina as metas de 40% de energia renovável até 2025 e 60% até 2040, embora mantenha o objetivo de 100% até 2050. Essa mudança ocorre em um contexto de crescente dependência de combustíveis fósseis, com planos para novas usinas a gás.
A privatização do sistema elétrico, impulsionada pela Luma Energy, e a recente parceria com a New Fortress Energy para importação de gás natural, levantam preocupações sobre a transparência e a segurança energética da ilha. Alberto Colón, morador de Guayama, critica a decisão da governadora, afirmando que a saúde da população está sendo sacrificada em nome da economia.
Desafios e Perspectivas
Apesar do aumento da energia solar em residências, com cerca de 160 mil casas equipadas com painéis solares, a falta de investimentos em grandes projetos de energia renovável limita o potencial de transição energética. A fiscalização federal tem dificultado a aprovação de novos projetos, enquanto a população continua a sofrer com altos custos de energia e frequentes apagões.
A situação em Guayama exemplifica a luta de Porto Rico contra a poluição e a busca por um futuro energético sustentável, em meio a desafios políticos e econômicos que perpetuam a dependência de fontes poluentes.
Entre na conversa da comunidade