A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem por usarem um software chamado FirstMile para monitorar opositores durante o governo Bolsonaro. Esse programa, que explorava falhas na telefonia brasileira, permitia rastrear alvos como membros do Judiciário e jornalistas. O FirstMile, desenvolvido por uma empresa israelense, conseguia localizar celulares usando antenas de telefonia. A PF e a Anatel informaram que o software aproveitava vulnerabilidades nas redes móveis, especialmente nas tecnologias mais antigas, e não verificava se os pedidos de acesso eram legítimos. Isso significa que dados de celulares podiam ser acessados sem autorização adequada. A complexidade das telecomunicações no Brasil, com muitas prestadoras de serviço, dificulta a correção dessas falhas. A Anatel alertou que o uso de softwares estrangeiros pode aumentar a exploração dessas vulnerabilidades, mesmo com ordens judiciais.
As investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) utilizou um software secreto, chamado FirstMile, para monitorar opositores durante o governo de Jair Bolsonaro. O inquérito resultou no indiciamento do ex-presidente e do deputado federal Alexandre Ramagem, que dirigiu a Abin na época. Ambos não comentaram sobre as acusações.
O FirstMile explorava falhas na telefonia brasileira para rastrear alvos, incluindo membros do Judiciário e jornalistas. A PF concluiu que a ferramenta, desenvolvida pela empresa israelense Cognyte, permitia a localização de celulares por meio de antenas de telefonia, conhecidas como Estações Rádio Base (ERB). O diretor de inteligência da PF, Rodrigo Morais Fernandes, destacou a gravidade da situação, afirmando que a empresa estrangeira acessava a infraestrutura crítica de telefonia do Brasil.
Em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) explicaram que o FirstMile utilizava vulnerabilidades de redes móveis, especialmente nas tecnologias 2G e 3G. O laudo da PF indicou que o sistema não verificava a legitimidade dos pedidos, permitindo acesso a dados de celulares sem a devida autorização.
A complexidade da rede de telecomunicações no Brasil, com cerca de 15.000 prestadoras de serviço, é um dos principais desafios para corrigir essas vulnerabilidades. O superintendente da Anatel, Gustavo Santana Borges, alertou que a autorização do uso de softwares estrangeiros pode incentivar a exploração de falhas nas redes de telefonia, mesmo com ordens judiciais.
Entre na conversa da comunidade