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Brasil enfrentou ‘golpe em gerúndio’ durante governo Bolsonaro, diz Eugênio Bucci

Eugênio Bucci revela em seu livro como o governo Bolsonaro ameaçou a democracia e promoveu a militarização, com tentativas de golpe de Estado.

Sem máscara, Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato golpista em Brasília, quatro dias após o início da pandemia (Foto: Sérgio Lima/AFP/15-3-2020)
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Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia de COVID-19, enquanto o presidente Jair Bolsonaro ignorava as recomendações de saúde e promovia aglomerações. O livro “Que Não Se Repita”, de Eugênio Bucci, analisa como o governo Bolsonaro ameaçou a democracia no Brasil, destacando a militarização do governo e tentativas de golpe de Estado. Quatro dias após a declaração da OMS, Bolsonaro foi visto sem máscara, interagindo com apoiadores que pediam intervenção militar, o que Bucci considera uma violação do decoro presidencial. O autor observa que o plano golpista já era visível durante a campanha eleitoral, com Bolsonaro elogiando a ditadura militar. Bucci critica a naturalização da militarização do governo e a minimização dos ataques às instituições. Em abril de 2021, ele alertou que o país estava vivendo um “golpe em gerúndio”. Na parte final do livro, Bucci fala sobre as investigações que levaram Bolsonaro a ser processado após o fracasso de sua tentativa de golpe, ressaltando que o Brasil quase sofreu um golpe de Estado, mas escapou por conta da incompetência de alguns aliados do presidente.

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia de COVID-19. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro ignorava as orientações sanitárias e promovia aglomerações, como registrado no novo livro de Eugênio Bucci, Que Não Se Repita.

O autor analisa como o governo Bolsonaro ameaçou a democracia brasileira, destacando a militarização do governo e tentativas de golpe de Estado. Quatro dias após a declaração da OMS, Bolsonaro foi visto sem máscara, interagindo com apoiadores que clamavam por intervenção militar. Bucci descreve esse momento como uma violação do decoro presidencial, onde o chefe do Executivo instigava o povo a atacar instituições como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Militarização e Golpe

O livro, que compila artigos de Bucci publicados entre 2018 e 2023, revela que o plano golpista era evidente desde a campanha eleitoral de Bolsonaro. O autor observa que o presidente frequentemente elogiava a ditadura militar, criando um cenário insólito em que um líder de extrema direita atacava os fundamentos da democracia. Em um dos capítulos, Bucci compara a corte bolsonarista à Itália de Mussolini, ressaltando a intenção de transformar escolas em extensões dos quartéis.

A militarização do governo foi naturalizada, enquanto os ataques às instituições eram minimizados. Bucci critica a inércia de muitos que não perceberam o risco iminente. Em abril de 2021, ele já alertava que o país vivia um “golpe em gerúndio”, afirmando que a democracia estava em desmanche.

Consequências e Reflexões

Na parte final do livro, Bucci discute as investigações que levaram Bolsonaro a ser processado após o fracasso de sua trama golpista. Ele destaca que o Brasil escapou por pouco de um golpe de Estado, atribuindo essa sorte à incompetência de alguns aliados do presidente. “Por um golpe de sorte, não fomos abatidos por um golpe de Estado,” conclui Bucci, refletindo sobre os perigos que o país enfrentou durante esse período crítico.

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