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Partidos da base criticam ações do governo mais que o PL, maior oposição

Partidos da base aliada protocolam mais projetos de decretos legislativos que a oposição, evidenciando a crise política do governo Lula.

Plenário da Câmara vota projeto que derruba decreto do IOF (Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo)
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O governo Lula está enfrentando uma crise com o Congresso, com descontentamento crescente entre os partidos aliados. Desde 2023, esses partidos apresentaram mais projetos de decretos legislativos do que a oposição, mostrando a instabilidade política atual. Recentemente, o Congresso derrubou um decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras, e a maioria dos deputados que votaram contra o governo eram de partidos aliados. Esse tipo de rejeição não acontecia desde 1992. Um estudo mostrou que, desde o início do mandato de Lula, os partidos da base protocolaram 315 projetos, enquanto a oposição apresentou 308. A fragmentação da base aliada é um problema, pois Lula precisa negociar individualmente com os parlamentares, o que torna sua posição mais fraca. A rejeição do aumento do IOF é considerada uma grande derrota para o governo, que já passou por outras dificuldades, como a derrubada de vetos importantes e a criação de uma CPI que investiga problemas nas aposentadorias do INSS. A insatisfação entre aliados, que já se preparam para as eleições de 2026, indica um cenário complicado para o governo.

O governo Lula enfrenta uma crise política com o Congresso, evidenciada pela insatisfação crescente entre partidos da base aliada. Desde 2023, essas siglas protocolaram mais projetos de decretos legislativos (PDLs) do que a oposição, refletindo a instabilidade atual.

Na última quarta-feira, o Congresso derrubou um decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Embora a proposta tenha sido apresentada pela oposição, dois terços dos 383 deputados que votaram contra o governo pertencem a partidos aliados. Esse cenário é inédito desde 1992, quando uma decisão do então presidente Fernando Collor foi rejeitada, meses antes de seu impeachment.

Um levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), revela que, desde o início do mandato de Lula, foram protocolados 315 PDLs por partidos da base, enquanto o PL, principal partido de oposição, apresentou 308. O Republicanos, que comanda o Ministério de Portos e Aeroportos, lidera com 78 PDLs, seguido pelo União Brasil e PP, ambos com 73.

Fragmentação da Base Aliada

A fragmentação da base aliada é um fator crucial para a atual crise. Com baixa popularidade e falta de apoio das cúpulas dos partidos centristas, Lula se vê obrigado a negociar individualmente com os parlamentares. A rejeição do aumento do IOF é considerada a maior derrota do terceiro governo Lula, que já enfrentou a derrubada de vetos importantes e a instalação de uma CPI do INSS, que pode gerar mais desgastes.

A CPI, apoiada por 81 deputados de cinco partidos, investiga descontos indevidos nas aposentadorias do INSS. Segundo Leandro Consentino, cientista político do Insper, a capacidade do Executivo de negociar está enfraquecida, com partidos exigindo mais do que o governo pode oferecer. Essa situação pode levar a uma reavaliação da aliança, especialmente em um contexto eleitoral.

Desafios e Reveses

Desde o início do mandato, o governo Lula já enfrentou diversos reveses, incluindo a derrubada de um veto sobre a contratação de usinas de energia e a manutenção de uma norma do governo anterior que barrava a criminalização de fake news. A crescente insatisfação entre os aliados, como União Brasil e PP, que se articulam para as eleições de 2026, sinaliza um cenário desafiador para o governo.

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