- A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) derrubou o veto do governador Cláudio Castro à proposta que devolve a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí ao estado.
- A votação ocorreu com 38 votos a favor e 19 contra, aumentando a rivalidade entre o governador e o prefeito Eduardo Paes.
- A proposta, liderada pelo deputado Rodrigo Amorim, revoga um decreto de 1975 que conferia à prefeitura a administração do espaço.
- O prefeito criticou a decisão, chamando-a de “perda de tempo” e anunciou que recorrerá à Justiça.
- A Procuradoria Geral do Estado considera a medida inconstitucional, e a disputa pela gestão reflete tensões políticas em vista da sucessão estadual de 2026.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) derrubou, nesta segunda-feira, 30, o veto do governador Cláudio Castro à proposta que devolve a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí ao estado. A votação resultou em 38 votos a favor e 19 contra, intensificando a rivalidade entre o governador e o prefeito Eduardo Paes.
A proposta, liderada pelo deputado Rodrigo Amorim (União), revoga um decreto de 1975 que conferia à prefeitura a administração do espaço. Amorim argumenta que o Carnaval é um patrimônio que deve ser compartilhado por todo o estado, não apenas pela capital. Ele destacou que muitas escolas de samba campeãs são de municípios da região metropolitana.
Críticas do Prefeito
Após a votação, Paes criticou a decisão, chamando-a de “perda de tempo” e anunciou que recorrerá à Justiça. O prefeito ironizou a capacidade do estado em assumir a gestão do Carnaval, afirmando que a segurança e a saúde pública são prioridades que precisam de atenção. Ele sugeriu que o estado deveria transferir outras responsabilidades para a prefeitura, permitindo que o governo se concentre em questões mais urgentes.
A Procuradoria Geral do Estado considera a medida inconstitucional, citando decisões anteriores do Tribunal de Justiça que favorecem a posse municipal. O deputado Luiz Paulo (PSD) também se posicionou contra a transferência, defendendo que a gestão do sambódromo pela prefeitura garante direitos adquiridos ao longo de 50 anos.
Implicações Políticas
A disputa pela gestão do Sambódromo reflete a crescente tensão política entre os grupos que se preparam para a sucessão estadual de 2026. O controle do espaço, um ativo estratégico durante o Carnaval, se tornou central nesse embate. Nos bastidores, a derrubada do veto é vista como uma jogada da pré-campanha de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj.
No mesmo dia, a Alerj também aprovou a convocação do secretário estadual de Transportes, Washington Reis, para depor na CPI da Transparência. Essa ação sinaliza um racha na base aliada ao governador e fortalece o grupo que atualmente comanda o Legislativo fluminense. A disputa pelo Sambódromo, portanto, vai além da gestão, envolvendo poder e influência no cenário político do Rio.
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