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Especialista critica transferência do Sambódromo em meio à crise financeira do estado

Governador e prefeito divergem sobre a gestão do Sambódromo, enquanto economista questiona a viabilidade financeira da mudança.

O Sambódromo do Rio: palco dos principais desfiles de carnaval (Foto: Márcia Foletto)
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  • A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a transferência da gestão do Sambódromo da prefeitura para o estado, com trinta e oito votos a favor e dezenove contra.
  • O governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes estão em desacordo, com Paes anunciando que recorrerá à Justiça.
  • O economista André Luiz Marques questionou a viabilidade financeira da mudança, dado que o estado enfrenta dificuldades econômicas.
  • A proposta, assinada pelo deputado Rodrigo Amorim (União), inclui terrenos do antigo Estado da Guanabara na Cidade Nova.
  • A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) não se manifestou, enquanto a Liga RJ aguarda a resolução das pendências.

Diante da recente decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a gestão do Sambódromo, tradicional palco do carnaval, foi transferida da prefeitura para o estado. A medida, aprovada com 38 votos a favor e 19 contra, gerou polêmica entre o governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes, que anunciou que recorrerá à Justiça.

O economista André Luiz Marques, professor do Insper, questionou a viabilidade financeira dessa mudança, considerando que o estado enfrenta dificuldades econômicas e está sob Regime de Recuperação Fiscal. Marques ressaltou que a população merece entender o racional por trás da estadualização do carnaval, afirmando que a situação do Rio não é apenas um problema do Executivo, mas envolve também o Legislativo e o Judiciário.

A proposta, assinada pelo deputado Rodrigo Amorim (União), não se limita ao Sambódromo, mas inclui todos os terrenos que pertenciam ao antigo Estado da Guanabara na Cidade Nova. Paes criticou a decisão, ironizando que o estado deve estar “muito tranquilo” para assumir a gestão do carnaval, e destacou os R$ 46,7 milhões que a prefeitura investe anualmente na infraestrutura do Sambódromo, além de R$ 43,3 milhões em subvenções para as escolas de samba.

Reações e Implicações

A mudança de gestão foi vista como uma jogada política, especialmente em um ano eleitoral. O deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSD) anunciou que pretende entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade, argumentando que a fusão entre os estados foi formalizada por lei e que a nova proposta afeta direitos adquiridos.

Rodrigo Amorim defendeu a constitucionalidade da medida, afirmando que o carnaval deve ser um patrimônio de todo o estado e não apenas da capital. Ele destacou que as últimas escolas vencedoras são de municípios da Região Metropolitana, como Nilópolis e Duque de Caxias.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) optou por não se pronunciar sobre a questão, enquanto a Liga RJ, responsável pela Série Ouro, aguarda a resolução das pendências, enfatizando a importância do diálogo entre as partes envolvidas para garantir a continuidade do carnaval.

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