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Cidade prioriza recapeamento em condomínio de luxo em detrimento de bairros carentes

Deputado destina R$ 2,2 milhões para recapeamento em condomínio de luxo, enquanto bairros carentes recebem investimentos mínimos.

Ruas internas do Residencial Tamboré I, condomínio de luxo de Barueri, na Grande SP, onde casas chegam a custar R$ 50 milhões. (Foto: Reprodução/Tegra Construtora)
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  • O deputado federal Fábio Teruel destinou R$ 2,2 milhões em emenda parlamentar para o recapeamento do condomínio Residencial Tamboré I, em Barueri.
  • O condomínio recebeu 33.945 metros quadrados de recapeamento, enquanto bairros como Parque Imperial e Mutinga tiveram investimentos mínimos.
  • A gestão municipal, liderada pelo prefeito Beto Piteri, enfrenta um processo de cassação e erros em relatórios sobre as obras foram identificados.
  • O recapeamento no Tamboré foi justificado pela prefeitura como necessário devido à falta de manutenção por 15 anos.
  • A administração municipal planeja investir R$ 60 milhões em recapeamento para 2025, priorizando áreas carentes.

O deputado federal Fábio Teruel (MDB) destinou R$ 2,2 milhões em emenda parlamentar para o recapeamento do condomínio de luxo Residencial Tamboré I, em Barueri, gerando polêmica sobre a desigualdade na distribuição de verbas na cidade. O condomínio, conhecido como a “Beverly Hills Paulista”, recebeu 33.945 metros quadrados de recapeamento em 2024, enquanto bairros vizinhos, como Parque Imperial e Mutinga, tiveram investimentos irrisórios.

A gestão municipal, sob o comando do prefeito Beto Piteri (Republicanos), enfrenta um processo de cassação e erros em relatórios sobre as obras foram identificados. O condomínio de Teruel recebeu nove ruas asfaltadas, enquanto o Parque Imperial teve apenas 1,1 mil metros quadrados recapeados e o Mutinga, 679 metros. Essa discrepância revela um padrão de desigualdade na infraestrutura urbana da cidade.

Desigualdade na Infraestrutura

O Relatório de Execução do Programa de Metas 2024 da prefeitura indicou que o Residencial Tamboré I foi o que mais recebeu asfaltamento no ano passado. A área, que abriga moradores de alto poder aquisitivo, recebeu 31 vezes mais recapeamento do que os bairros mais pobres. A construtora Tegra, responsável pelo condomínio, destaca que a área é um loteamento exclusivo com apenas 1,86 km² e 710 unidades residenciais.

Em contrapartida, moradores do Parque Imperial relatam que estão há anos esperando melhorias nas vias. Um comerciante local afirmou que a prefeitura não atendeu suas solicitações por recapeamento, mesmo após várias queixas. A prefeitura, em nota, alegou que o recapeamento no Tamboré foi necessário devido à falta de manutenção por 15 anos.

Respostas da Prefeitura

A administração municipal defendeu que o recapeamento no Residencial Tamboré I não foi influenciado pela vice-prefeita Cláudia Marques (PSB), que reside no local. A gestão afirmou ter investido R$ 46,1 milhões em recapeamento em 2024, abrangendo 63 vias em 18 bairros. Para 2025, a prefeitura planeja destinar R$ 60 milhões para recapeamento, priorizando áreas carentes.

Após questionamentos sobre a quantidade de recapeamento, a prefeitura corrigiu um erro de digitação em seu relatório, reduzindo a metragem de 133.945 metros para 33.945 metros. A administração reafirmou que as decisões sobre a aplicação dos recursos são de responsabilidade da gestão municipal, sem interferência dos parlamentares.

A situação em Barueri reflete um padrão de desigualdade que também se observa em outras cidades da região, como São Paulo e Osasco, onde a qualidade das vias varia drasticamente entre áreas de alto e baixo poder aquisitivo.

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