- Vera Zaverucha, ex-diretora da Agência Nacional do Cinema (Ancine), critica as políticas atuais de descentralização no setor audiovisual brasileiro.
- Ela argumenta que essas políticas podem comprometer a qualidade dos projetos e dificultar sua inserção no mercado.
- Zaverucha destaca a importância de um planejamento estratégico para evitar investimentos ineficazes.
- Exemplos de sucesso em descentralização, como produções de Pernambuco e Contagem, mostram que políticas bem estruturadas podem resultar em projetos de destaque.
- A ex-diretora sugere a formação de públicos e a qualificação profissional como essenciais para o fortalecimento do mercado audiovisual.
A discussão sobre descentralização no setor audiovisual brasileiro ganha novo impulso com as críticas de Vera Zaverucha, ex-diretora da Ancine. Em artigo na Folha, ela aponta que as atuais políticas de descentralização podem comprometer a qualidade dos projetos, dificultando sua inserção no mercado.
Zaverucha destaca que, embora a descentralização seja um princípio importante, a falta de planejamento estratégico pode levar a investimentos ineficazes. Exemplos de sucesso em descentralização, como as produções de Pernambuco e Contagem, demonstram que políticas regionais bem estruturadas podem resultar em projetos de destaque, como os filmes de Kleber Mendonça Filho e Gabriel Mascaro.
Desafios das Políticas Atuais
A crítica se estende à lógica de alocação de recursos, que ainda prioriza segmentos consolidados do mercado. Apenas 8% dos municípios brasileiros possuem salas de cinema ativas, evidenciando a necessidade de uma política que integre todos os elos da cadeia produtiva, incluindo distribuição e exibição.
Zaverucha sugere que é essencial investir na formação de públicos e na qualificação profissional. Propostas incluem parcerias com universidades para a criação de laboratórios de projetos e a concessão de bolsas de estudo no exterior. Essas ações podem fortalecer o mercado audiovisual e promover um desenvolvimento regional mais equilibrado.
A Necessidade de Planejamento
A ex-diretora enfatiza que a descentralização deve ser acompanhada de uma visão sistêmica. Investimentos devem ser baseados em dados sólidos e critérios técnicos, evitando a acentuação das desigualdades regionais. A implementação de uma política industrial eficaz é crucial para que o audiovisual brasileiro alcance seu potencial.
Zaverucha conclui que, para que as regiões mais carentes se desenvolvam economicamente, é necessário um planejamento robusto e vontade política. O fortalecimento do audiovisual nas regiões Norte e Nordeste, que cresceram significativamente nos últimos anos, é um exemplo do potencial que pode ser explorado.
Entre na conversa da comunidade