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Clássico de Jorge Amado é alvo de censura em Santa Catarina; entenda o caso

Vereadora de Itapoá propõe retirada de "Capitães da Areia" do currículo escolar, gerando polêmica e repúdio da Academia Brasileira de Letras.

Cerimônia especial para o anuncio das comemorações do Ano Jorge Amado e lançamento da programação comemorativa aos 25 anos da Fundação Casa de Jorge Amado. (Foto: Mateus Pereira/Secom)
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  • A vereadora Jéssica Lemoine, de Itapoá, Santa Catarina, pediu a retirada do livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, do currículo escolar.
  • Ela argumenta que a obra romantiza a marginalização infantil e relacionamentos inadequados.
  • A Academia Brasileira de Letras (ABL) repudiou a proposta, afirmando que a censura a obras literárias é inaceitável.
  • Lemoine mencionou que a classificação indicativa do livro foi alterada de 18 para 14 anos, o que facilitaria seu uso por alunos do 7º e 8º ano do ensino fundamental.
  • A ABL destacou que não há obrigatoriedade de classificação etária para livros no Brasil e lembrou que Jorge Amado é um dos maiores escritores do país.

Capitães da Areia, obra clássica de Jorge Amado, enfrenta um novo desafio em sua trajetória. A vereadora Jéssica Lemoine, de Itapoá, Santa Catarina, solicitou a retirada do livro do currículo escolar, alegando que ele romantiza a marginalização infantil e relacionamentos inadequados. A proposta gerou polêmica e foi repudiada pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Durante uma sessão na Câmara Municipal, Lemoine afirmou que a obra é inapropriada para crianças, mencionando que a classificação indicativa foi alterada de 18 para 14 anos. Essa mudança, segundo a vereadora, facilitaria o uso do livro por alunos do 7º e 8º ano do ensino fundamental, que têm entre 12 e 13 anos. Contudo, a ABL destacou que não há obrigatoriedade de classificação etária para livros no Brasil, já que o Ministério da Justiça não os considera produtos classificáveis.

A vereadora também expressou preocupações sobre a presença de um “escritor comunista” no currículo escolar, sugerindo que isso seria uma tentativa de infiltração da esquerda na educação. Apesar de sua posição, Lemoine afirmou que não é contra o livro e espera que ele permaneça na Biblioteca Municipal, já que é uma leitura comum em vestibulares. O vídeo de seu discurso, compartilhado nas redes sociais, gerou repercussão e debate.

Reação da Academia Brasileira de Letras

Em resposta à solicitação de Lemoine, a ABL emitiu uma nota de repúdio, assinada pelo presidente Merval Pereira. A nota enfatiza que a tentativa de censura a obras literárias é inaceitável e que Jorge Amado é um dos maiores escritores do Brasil, reconhecido internacionalmente. Pereira destacou que a crítica à obra por suposta influência política é “patética”, lembrando que Amado renunciou ao comunismo em 1956.

Capitães da Areia, publicado em 1937, narra a vida de meninos abandonados nas ruas de Salvador, abordando temas como violência e abandono. A obra continua a ser uma referência importante na literatura brasileira, e a discussão sobre sua inclusão no currículo escolar levanta questões sobre liberdade de expressão e educação.

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