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Moradores de Mariana denunciam contaminação de plantas quase dez anos após tragédia

Líder indígena Marcelo Krenak busca justiça em Londres, enquanto BHP enfrenta pressão por reparação após desastre em Mariana.

Mariana: quase dez anos após barragem romper, liderança local Marcelo Krenak denuncia poluição (Foto: Ben Stansall/AFP)
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  • O líder indígena Marcelo Krenak participou de uma audiência em Londres, buscando indenização da BHP pela tragédia da barragem de Fundão, que ocorreu em Mariana (MG) em 2015.
  • O colapso da barragem resultou em 19 mortes e um desastre ecológico, afetando o Rio Doce e suas comunidades.
  • A Justiça britânica deve decidir em breve sobre a responsabilidade da BHP, que alega que a qualidade da água do Rio Doce já retornou aos níveis anteriores ao desastre.
  • Krenak destacou que o solo e a água da região continuam poluídos e que o ecossistema foi devastado.
  • O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, expressou esperança de que a Justiça reconheça a responsabilidade da BHP, visando negociações diretas com os demandantes.

Dez anos após o colapso da barragem de Fundão em Mariana (MG), que resultou em 19 mortes e um desastre ecológico, o líder indígena Marcelo Krenak participou de uma audiência em Londres. O evento visa buscar indenização da BHP, empresa que pode ser responsabilizada pelo desastre. A decisão da Justiça britânica sobre a responsabilidade da companhia deve ocorrer em breve.

Krenak, que esteve presente na audiência, destacou que o solo e a água da região continuam poluídos, afetando a vida dos habitantes. Ele enfatizou a conexão cultural de seu povo com o Rio Doce, que foi devastado pelo deslizamento de lama tóxica que se estendeu por 650 km até o oceano Atlântico. “Todo o ecossistema em torno do rio foi destruído”, afirmou.

A BHP, que na época do incidente tinha uma de suas sedes no Reino Unido, reconheceu a tragédia e afirmou estar comprometida em apoiar a Samarco, responsável pela barragem. A empresa alega que a qualidade da água do Rio Doce já retornou aos níveis anteriores ao rompimento. Entretanto, muitos dos 620 mil demandantes no processo em Londres, incluindo 46 municípios, não se sentem cobertos pelo acordo de reparação de R$ 170 bilhões firmado no Brasil.

Krenak anunciou que os autores da ação apresentarão evidências visuais do impacto do desastre, incluindo fotos e vídeos. Ele acredita que o julgamento pode estabelecer um precedente importante para futuras ações contra grandes empresas. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, também presente na audiência, expressou esperança de que a Justiça britânica reconheça a responsabilidade da BHP, o que poderia levar a negociações diretas com os demandantes. “Não vamos aceitar migalhas como foi oferecido no Brasil”, concluiu Duarte.

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