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Netflix lança documentário que revela a relação entre fé e política no Brasil

Documentário "Apocalipse nos Trópicos" investiga a relação entre religião evangélica e política no Brasil, com estreia nos cinemas e na Netflix.

Foto: Reprodução
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  • O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, da cineasta Petra Costa, estreia hoje, 3 de julho, em cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
  • A partir de 14 de julho, o filme estará disponível na Netflix.
  • A obra investiga a influência da religião evangélica na política brasileira, com entrevistas de figuras como Silas Malafaia e Jair Bolsonaro.
  • O documentário destaca a instrumentalização da fé e a atuação das igrejas durante a pandemia de Covid-19.
  • A produção enfrentou desafios, incluindo ataques a integrantes e a perda de um cartão de memória, mas busca abrir um debate sobre a relação entre fé e política no Brasil.

O novo documentário Apocalipse nos Trópicos, da cineasta Petra Costa, estreia hoje, 3 de julho, nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A partir de 14 de julho, o filme estará disponível na Netflix. A obra dá continuidade ao trabalho iniciado em Democracia em Vertigem, abordando a influência da religião evangélica na política brasileira.

Com 26,9% da população brasileira se identificando como evangélica, o documentário investiga como a fé tem sido utilizada por lideranças políticas. Petra Costa e a produtora Alessandra Orofino entrevistaram figuras como Silas Malafaia e Jair Bolsonaro, revelando a instrumentalização da religião no cenário político. Um registro inédito de Cabo Daciolo, pregando no Congresso, abre o filme, destacando a presença evangélica na vida pública.

Instrumentalização da Fé

Petra Costa observa que a atuação das igrejas durante a pandemia de Covid-19 foi significativa, oferecendo apoio espiritual e psicológico. O título Apocalipse nos Trópicos remete ao discurso religioso de fim dos tempos, que ganhou força entre líderes e fiéis. A diretora também notou a disseminação de ideias negacionistas, com pastores afirmando que Jesus curava a Covid.

O pastor Silas Malafaia, com mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, é uma das figuras centrais do documentário. A produção buscou ouvir diferentes vozes dentro do universo evangélico, revelando uma revolta em relação à manipulação da fé para fins políticos. O objetivo é provocar uma reflexão, especialmente entre o público evangélico.

Desafios na Produção

Durante as gravações, a equipe enfrentou desafios, como o ataque a integrantes durante um ato em 7 de setembro de 2021 e a perda de um cartão de memória em 8 de janeiro de 2023. Apesar das dificuldades, algumas lideranças foram receptivas à produção, contrastando com o discurso inflamado que frequentemente permeia o ambiente religioso.

Alessandra Orofino destaca que o crescimento do número de evangélicos não é alarmante por si só, mas a manipulação da fé para dominação representa uma ameaça à democracia. O documentário busca abrir um espaço para o debate sobre a relação entre fé e política no Brasil contemporâneo.

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