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Jovens criticam falta de atenção em cúpula de Sevilla e pedem futuro melhor

Jovens ativistas exigem maior inclusão nas discussões da Conferência da ONU, alertando para a urgência de investimentos em projetos para crianças.

Crianças em um campo de refugiados em Cabul, em 30 de junho de 2025. (Foto: SAMIULLAH POPAL/EFE)
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  • Jovens ativistas expressaram frustração pela falta de representação na Conferência da ONU sobre financiamento para o desenvolvimento, realizada em Sevilha.
  • O ativista Walberto Tardío questionou a ausência de jovens nas discussões que afetam a infância e a juventude.
  • Organizações não governamentais criticaram a subrepresentação da infância, destacando que as crianças são as mais impactadas por crises como conflitos e mudanças climáticas.
  • A ONU estima que um em cada três crianças no mundo não tem acesso a serviços essenciais, e apenas entre 0,1% e 1,5% do PIB global é destinado à proteção social da infância.
  • A vice-secretária geral da ONU, Amina J. Mohammed, reconheceu a necessidade de financiamentos inovadores, mas admitiu a falta de clareza nos resultados esperados para a saúde e nutrição infantil.

A Conferência da ONU sobre financiamento para o desenvolvimento, realizada a cada dez anos, está sendo marcada pela insatisfação de jovens ativistas. Durante o evento em Sevilha, eles expressaram sua frustração pela falta de representação nas discussões que impactam diretamente a infância e a juventude. Walberto Tardío, um boliviano de 23 anos, questionou: “¿Dónde están los jóvenes?”. Ele destacou que as decisões tomadas afetam principalmente as novas gerações, mas notou a escassez de jovens nos debates.

Organizações não governamentais (ONGs) também criticaram a subrepresentação da infância nas discussões. Macarena Céspedes, da ONG Educo, afirmou que as crianças estão “sobrerrepresentadas no impacto das crises atuais”, como conflitos e crises climáticas. Tardío, que atua em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, ressaltou a necessidade de incluir os jovens nas mesas de negociação.

Urgência de Investimentos

A situação é alarmante: a ONU estima que um em cada três crianças no mundo não tem acesso a serviços essenciais, como saúde e educação. De acordo com a Unicef, apenas entre 0,1% e 1,5% do PIB global é destinado à proteção social da infância. Javier Ruiz, da World Vision, alertou que 38 milhões de crianças podem não receber vacinas devido aos cortes de financiamento.

A cúpula discutiu a necessidade de aumentar a ajuda ao desenvolvimento, que deve cair entre 9% e 17% até 2025. Contudo, apenas 13% dessa ajuda é direcionada a projetos que beneficiam a infância. Ruiz enfatizou que, idealmente, 25% da ajuda deveria focar em crianças, abrangendo áreas como educação e saúde.

A Voz das Crianças

Inger Ashing, da Save The Children, destacou que as crianças não são apenas receptores de ajuda, mas agentes de transformação. Ela defendeu que é crucial ouvir as crianças, pois elas muitas vezes sabem o que precisam. A falta de foco em suas necessidades foi uma crítica comum entre os participantes.

A vice-secretária geral da ONU, Amina J. Mohammed, reconheceu que a conferência abriu espaço para financiamentos inovadores, mas admitiu que faltou clareza em relação aos resultados esperados, como nutrição e saúde infantil. José María Vera, da Unicef, considerou a declaração da conferência positiva, mas ressaltou que ainda é necessário mais concretude e ambição nas ações propostas.

ONGs e movimentos sociais em Sevilha também compartilharam avanços em investimentos voltados para a infância, como um sistema de prevenção de violência infantil que já está sendo aplicado em diferentes países. A necessidade de priorizar a infância nas discussões sobre financiamento é mais urgente do que nunca, especialmente em um contexto de cortes e crises que afetam diretamente as gerações mais jovens.

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