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Livro revela ossadas da vala de Perus e reflete sobre o Brasil passado e presente

Protagonista de "Caderno de Ossos" investiga desaparecimento familiar em meio à polarização política e busca por justiça no Brasil.

Julia Codo, autora de 'Caderno de Ossos' (Foto: Renato Parada/Divulgação)
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  • A protagonista do livro “Caderno de Ossos”, de Julia Codo, retorna ao Brasil em um cenário de polarização política.
  • Ela investiga o desaparecimento de sua tia Eva, uma vítima da ditadura militar.
  • A narrativa é fragmentada, interligando passado e presente, e reflete sobre a memória coletiva e a busca por justiça.
  • Durante uma visita ao Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo, ela observa ossadas de 1.049 pessoas enterradas em uma vala clandestina em Perus, sendo 41 identificadas como opositores do regime.
  • A obra aborda a necessidade de justiça e a impunidade dos crimes contra a humanidade, promovendo um exercício de empatia sobre as consequências da repressão no Brasil.

Quando a protagonista do romance Caderno de Ossos, de Julia Codo, retorna ao Brasil, ela se depara com um cenário de polarização política e investiga o desaparecimento de sua tia Eva, uma vítima da ditadura militar. A narrativa fragmentada entrelaça passado e presente, refletindo sobre a memória coletiva e a luta por justiça.

Durante uma visita ao Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo, a protagonista observa ossadas expostas, que representam 1.049 pessoas enterradas em uma vala clandestina em Perus, na década de 1970. Entre elas, 41 são identificadas como opositores do regime militar. A autora utiliza essa realidade para construir uma história que dialoga com a experiência de muitas famílias que sofreram com a repressão.

Codo, que cresceu ouvindo relatos de resistência ao regime militar, traz elementos de sua própria história familiar para a obra. A protagonista, ao descobrir cadernos da tia, se torna obcecada pela busca de informações sobre Eva, enquanto acompanha a atualidade marcada pela exaltação da ditadura. A autora destaca que, embora os personagens sejam fictícios, eles simbolizam a trajetória de inúmeras famílias.

Narrativa Fragmentada

A estrutura do livro é composta por fragmentos que se conectam, como um quebra-cabeça. Codo explica que essa escolha narrativa visa refletir sobre a ausência eterna e o luto não vivido por aqueles que perderam entes queridos durante a ditadura. A obra também aborda os efeitos da redemocratização e a necessidade de justiça, especialmente em um momento em que decisões judiciais ameaçam a memória dos crimes cometidos.

Codo enfatiza que crimes contra a humanidade não devem ser anistiados, e a impunidade é um convite para a repetição de atrocidades. Ao explorar a história de Eva e a própria trajetória familiar, a autora busca promover um exercício de empatia e reflexão sobre as consequências da repressão no Brasil. Caderno de Ossos é, assim, uma obra que não apenas narra uma história pessoal, mas também resgata a memória de um período sombrio da história brasileira.

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