- Uma campanha pelo desarmamento voluntário foi lançada no Brasil, em resposta ao aumento da violência armada.
- O Instituto Sou da Paz destacou casos trágicos, como o assassinato de uma criança em Sergipe e a morte acidental de uma mãe em Mato Grosso.
- Entre 2018 e 2022, o número de armas de fogo no Brasil aumentou de 1,5 milhão para 3 milhões.
- Em 2023, 50% das mortes de mulheres por agressão foram cometidas com armas de fogo, sendo 72% delas negras.
- A entrega voluntária de armas permite que cidadãos entreguem armamentos sem penalidade, com ressarcimento entre R$ 150,00 e R$ 450,00.
Recentemente, uma campanha pelo desarmamento voluntário foi lançada no Brasil, em resposta ao aumento alarmante da violência armada. O Instituto Sou da Paz destacou casos trágicos, como o assassinato de Layla Sofia Santos Menezes, de quase 2 anos, em Sergipe, e a morte de uma mãe em Mato Grosso, atingida acidentalmente pelo filho de 2 anos com uma arma do pai.
Esses incidentes refletem um cenário preocupante: entre 2018 e 2022, o número de armas de fogo em circulação no Brasil saltou de 1,5 milhão para 3 milhões. A flexibilização do Estatuto do Desarmamento, promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, contribuiu para essa realidade. Dados do Instituto Sou da Paz revelam que, em 2023, 50% das mortes de mulheres por agressão foram cometidas com armas de fogo, sendo 72% delas negras.
A campanha utiliza uma personagem criada com Inteligência Artificial, chamada MarIA, que simboliza as 38 mil mortes anuais por armas de fogo no Brasil. O publicitário Marcelo Reis, responsável pela iniciativa, enfatiza a importância de dar voz a essas histórias. A entrega voluntária de armas, uma política pública desde 2003, permite que cidadãos entreguem armamentos sem penalidade, com ressarcimento que varia de R$ 150 a R$ 450.
A mudança na fiscalização dos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs), que agora é responsabilidade da Polícia Federal, visa melhorar o controle sobre as armas. A diretora de projetos do Sou da Paz, Natália Pollachi, alerta que a posse de armas tem se tornado um “bem de consumo”, com 96% dos registros nas mãos de homens brancos das classes média e alta.
Estudos indicam que ter uma arma em casa aumenta em dez vezes a chance de uma morte violenta. A correlação entre o aumento de armas e homicídios é clara: cada 1% de aumento no número de armas pode elevar a taxa de homicídios em 1,1%. A situação exige atenção urgente, pois a violência armada continua a impactar a sociedade brasileira de forma devastadora.
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