Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Governo pede desculpas a filhos de pacientes com hanseníase por sofrimento causado

Governo brasileiro inicia reparações a filhos de portadores de hanseníase, reconhecendo violações históricas e preservando a memória das colônias.

Neidirmar nasceu na ex-colônia Tavares de Macedo e foi separada dos pais: anos depois, teve a filha encaminhada para outra família (Foto: Ana Branco)
0:00
Carregando...
0:00
  • Neidirmar Costa da Silva, de 68 anos, vive na antiga colônia de hanseníase Tavares de Macedo, em Itaboraí, onde foi separada de seus pais ao nascer.
  • O governo brasileiro reconheceu a violação dos direitos dos filhos de portadores de hanseníase e iniciou reparações financeiras, incluindo indenizações mensais de um salário mínimo e meio.
  • O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) já concedeu reparações a 146 filhos, em um total estimado de 25 mil.
  • Edmilson Picanço, de 53 anos, também foi separado de seus pais e viveu em um educandário por quase oito anos, enfrentando violência e uma rotina severa.
  • O MDHC planeja digitalizar documentos de educandários e tombar ex-colônias, visando preservar a memória e reconhecer as histórias de vida dos ex-internos e seus filhos.

Aos 68 anos, Neidirmar Costa da Silva caminha pela antiga colônia de hanseníase Tavares de Macedo, em Itaboraí, onde vive há 50 anos. Nascida em um dos pavilhões, Neidirmar foi separada de seus pais logo após o nascimento, assim como sua filha, Rosana, que também foi retirada de seu convívio. Recentemente, o governo brasileiro reconheceu a violação dos direitos dos filhos de doentes, emitindo pedidos de desculpas e iniciando reparações financeiras.

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) já concedeu reparações a 146 filhos de portadores de hanseníase, em um universo estimado de 25 mil. A indenização mensal é de um salário mínimo e meio, já paga aos ex-internos. Neidirmar afirma que esse reconhecimento é um passo importante, mas também traz à tona memórias dolorosas. Ela recorda que sua mãe foi internada ainda criança e que, após a internação, seus filhos foram levados a educandários, onde tinham contato limitado com os pais.

Memórias de Isolamento

Edmilson Picanço, de 53 anos, também compartilha experiências semelhantes. Filho de pais internados, foi retirado da família após o nascimento e viveu em um educandário por quase oito anos, sem saber que convivia com irmãos. Ele relata episódios de violência e a severidade da rotina nas instituições, onde as crianças eram frequentemente medicadas para manter a ordem.

O processo de reparação inclui a preservação do acervo documental das 46 colônias criadas no Brasil, que foram encerradas no final da década de 1980. Heraldo Pereira, de 58 anos, que também foi separado de seus pais, destaca que a internação compulsória durou tanto tempo devido à falta de vontade dos governos em encerrá-las. Ele e outros ex-internos enfrentaram rejeição familiar após o fim do isolamento.

Preservação da Memória

O MDHC planeja digitalizar documentos de 37 educandários e tombar cinco ex-colônias, como Itapuã e Marituba. O diretor de Direitos da Pessoa com Deficiência do MDHC, Andrei Soares, ressalta que as colônias não foram apenas locais de violação, mas também de resistência e produção cultural. Em Tavares de Macedo, a Secretaria estadual de Saúde iniciou um projeto para preservar a memória do hospital, reunindo prontuários e fotos.

Com a reparação e a preservação da memória, espera-se que as histórias de vida dos ex-internos e seus filhos sejam reconhecidas e valorizadas, trazendo à tona um capítulo doloroso da história brasileira que, por muito tempo, permaneceu invisível.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais