- O Censo 2022 mostra que a participação de brancos em religiões afro-brasileiras caiu de 46,7% para 42,9% desde 2010.
- O número total de adeptos dessas religiões triplicou, alcançando 1,8 milhão de pessoas.
- A maioria dos praticantes se identifica como negra: 23,2% como pretos e 33,2% como pardos.
- As religiões afro-brasileiras, como candomblé e umbanda, cresceram em 73,1% dos municípios do Brasil entre 2010 e 2022.
- A socióloga Carolina Rocha afirma que os terreiros continuam sendo predominantemente negros, apesar do aumento da presença branca.
Os terreiros de religiões afro-brasileiras não estão se tornando mais brancos, conforme sugere a análise de dados do Censo 2022. A participação de brancos nessas religiões caiu de 46,7% para 42,9% desde 2010, enquanto o número total de adeptos triplicou, alcançando 1,8 milhão de pessoas.
A percepção de um embranquecimento nas práticas religiosas afro-brasileiras ganhou força nos últimos anos, especialmente com imagens de brancos em eventos como o Dia de Iemanjá. No entanto, os dados do IBGE mostram que a maioria dos praticantes é negra, com 23,2% se identificando como pretos e 33,2% como pardos. A queda na autodeclaração de brancos reflete uma mudança mais ampla na sociedade, onde a população branca geral também diminuiu de 48% para 43,4%.
Crescimento das Religiões Afro-Brasileiras
Entre 2010 e 2022, as religiões afro-brasileiras, incluindo candomblé e umbanda, tiveram o maior crescimento proporcional, com presença em 73,1% dos municípios do Brasil. A maior queda na participação de brancos ocorreu em Vitória, onde a porcentagem caiu de 50% para 36%. Em contrapartida, cidades como Recife e Salvador mostraram um aumento na presença de brancos, mas a proporção de pretos também cresceu nessas localidades.
A socióloga Carolina Rocha, do Iser, destaca que os terreiros continuam sendo espaços predominantemente negros, apesar da narrativa de embranquecimento. A maior escolarização dos adeptos de religiões afro-brasileiras, que são os mais escolarizados do país, pode explicar o aumento da presença branca. A pandemia e as redes sociais também desempenharam um papel crucial, facilitando o acesso à informação sobre essas tradições.
Análise e Reflexões
O sociólogo Reginaldo Prandi observa que a autodeclaração racial no Censo reflete uma tendência de maior identificação com a negritude. A população parda cresceu de 42,5% para 44,9%, enquanto a de pretos aumentou de 8% para 10,7%. Essa mudança sugere que, à medida que mais pessoas se identificam como negras, a presença de brancos nas religiões afro-brasileiras não deve ser vista como um problema, mas sim como parte de um fenômeno mais complexo.
Jonathan Pires, idealizador da Marcha para Exu, ressalta que a presença de brancos não é o problema, mas sim a falta de consciência sobre o papel que ocupam. A diversidade nas religiões afro-brasileiras é uma realidade, e a valorização da cultura negra e o acesso à educação têm contribuído para essa transformação.
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