- A Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66, que altera a contabilidade fiscal dos precatórios.
- A proposta permite a exclusão dos precatórios do teto de gastos até 2026, com uma transição gradual de 10% ao ano a partir de 2027.
- Os precatórios totalizam cerca de R$ 125 bilhões, e em 2023 o governo gastará R$ 102,7 bilhões com esses pagamentos.
- A PEC também estabelece novas regras para a renegociação de dívidas municipais, permitindo parcelamento em até 300 meses e correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 2% de juros simples.
- O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a proposta, que já foi aprovada no Senado e agora segue para implementação.
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66, que altera a contabilidade fiscal dos precatórios, permitindo que esses pagamentos sejam excluídos do teto de gastos. A proposta, relatada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP), estabelece um plano de pagamento gradual em 10 anos, aliviando a pressão fiscal sobre o governo.
A nova regra prevê que, a partir de 2027, 10% do total de precatórios será incluído nas metas fiscais, até que se atinja 100% em 2036. Essa mudança é crucial, pois os precatórios, que totalizam cerca de R$ 125 bilhões, poderiam comprometer outros gastos públicos. Em 2023, o governo desembolsará R$ 102,7 bilhões em precatórios, sendo R$ 58,6 bilhões dentro das normas fiscais e R$ 44,1 bilhões fora delas.
Detalhes da Proposta
A PEC também introduz novas diretrizes para a renegociação das dívidas municipais. Os municípios poderão parcelar suas dívidas previdenciárias em até 300 meses e a correção das dívidas será feita pelo IPCA mais 2% de juros simples, ao invés da Taxa Selic. Além disso, os municípios poderão gastar até 5% da Receita Corrente Líquida com precatórios, com um escalonamento que varia de 1% a 5% conforme o total devido.
A proposta ainda prevê a desvinculação de até 50% das despesas obrigatórias dos municípios em 2026, reduzindo esse percentual para 30% entre 2027 e 2032. Essa medida visa proporcionar maior flexibilidade nas contas públicas, especialmente em um cenário fiscal desafiador.
Implicações Fiscais
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a PEC, afirmando que ela evita que o próximo governo enfrente problemas fiscais herdados da gestão anterior. A proposta já havia sido aprovada no Senado e agora segue para a implementação, com a expectativa de que traga um alívio significativo nas contas públicas. A transição gradual para incluir os precatórios na meta fiscal é vista como uma solução para um problema que poderia se agravar em 2027.
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