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Frente Ambientalista critica flexibilização do licenciamento em ano da COP

Nilto Tatto alerta que projeto de lei sobre licenciamento ambiental pode prejudicar a agenda climática do Brasil e abrir espaço para autolicenciamento.

Presidente da Frente Ambientalista na Câmara, Nilto Tatto (PT-SP) (Foto: Divulgação/Câmara)
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  • O debate sobre a flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil se intensifica com a votação de um projeto de lei que inclui empreendimentos minerários.
  • O presidente da Frente Ambientalista na Câmara, Nilto Tatto, criticou a inclusão, afirmando que representa um retrocesso ambiental e compromete a agenda climática do país.
  • Tatto destacou a responsabilidade do Brasil, que presidirá a COP30, em não enviar um “exemplo negativo” ao mundo.
  • O projeto prevê novas licenças que facilitam a liberação de obras em áreas sensíveis e permite renovação automática de licenças sem análise prévia.
  • A inclusão da mineração gerou resistência entre ambientalistas e parlamentares, que temem o impacto sobre os direitos dos povos tradicionais e a proteção ambiental.

O debate sobre a flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil ganha novos contornos com a iminente votação de um projeto de lei que inclui empreendimentos minerários. O presidente da Frente Ambientalista na Câmara, Nilto Tatto (PT-SP), expressou preocupações sobre o impacto negativo que essa medida pode ter, especialmente com a COP30 se aproximando, evento que o Brasil presidirá em novembro.

Tatto alertou que a aprovação do projeto representaria um retrocesso ambiental, comprometendo a agenda climática do país. Ele destacou que o Brasil, ao assumir a presidência da COP30, tem a responsabilidade de liderar a luta contra as mudanças climáticas, e não enviar um “exemplo negativo” ao mundo. O deputado também mencionou que a nova legislação poderia prejudicar as negociações do Brasil com mercados internacionais, especialmente após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Mudanças no Projeto

A proposta, que já havia sido criticada por seus retrocessos, foi alterada para incluir a mineração de grande porte. Essa mudança ocorreu após o deputado Zé Vitor (PL-MG) apresentar uma nova versão do relatório, que inicialmente excluía a atividade mineradora. A inclusão foi vista como uma oportunidade por alguns setores, como o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Raul Jungmann, que agora apoia a medida.

O projeto prevê a criação de novos tipos de licenças que facilitam a liberação de obras em áreas ambientalmente sensíveis. Entre as propostas, destaca-se a possibilidade de renovação automática da licença ambiental, sem análise prévia das autoridades, desde que o empreendedor declare que não houve mudanças nas características do empreendimento.

Consequências e Críticas

A inclusão da mineração nas novas regras gerou forte resistência entre ambientalistas e parlamentares da oposição. Tatto enfatizou que a proposta pode inviabilizar os direitos dos povos tradicionais e abrir espaço para o autolicenciamento, o que agrava ainda mais as preocupações sobre a proteção ambiental no Brasil. Ele criticou a possibilidade de que o projeto, se aprovado, jogue fora o compromisso assumido pelo Parlamento de não permitir retrocessos na legislação ambiental.

Com a votação marcada para esta semana, o futuro do licenciamento ambiental no Brasil permanece incerto, refletindo a tensão entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental.

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