- Patricia Evangelista, jornalista filipina, lançou o livro “Que alguém os mate”.
- A obra investiga os crimes do ex-presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, e sua política de combate às drogas.
- Evangelista analisa a desumanização das vítimas e a lógica da violência durante o governo Duterte, que resultou em milhares de assassinatos extrajudiciais.
- A autora discute como Duterte manipulou o medo da população para justificar sua política violenta, apresentando a morte de traficantes como uma solução para a segurança.
- O livro é um apelo à resistência e à memória, buscando dar voz às vítimas da violência.
Patricia Evangelista, jornalista filipina, lança livro que investiga os crimes de Rodrigo Duterte, ex-presidente das Filipinas, conhecido por sua brutal política de combate às drogas. Em “Que alguém os mate”, Evangelista analisa a desumanização das vítimas e a lógica da violência que permeou o governo Duterte, responsável por milhares de assassinatos extrajudiciais.
A obra destaca como Duterte manipulou o medo e a frustração da população, transformando-os em alvos de sua política violenta. Evangelista afirma que o ex-presidente via um cadáver como um preço aceitável, refletindo uma lógica distorcida sobre a vida e a morte. A jornalista, que já recebeu diversos prêmios internacionais, utiliza uma linguagem direta e impactante, ressaltando que o verbo matar não precisa de sinônimos.
A autora questiona a motivação por trás da violência de Duterte, sugerindo que cada autocrata precisa de um inimigo para justificar suas ações. Duterte prometeu segurança ao povo, alegando que a morte de traficantes traria tranquilidade às famílias. Essa retórica, segundo Evangelista, é comum entre líderes autoritários, que desumanizam suas vítimas para legitimar a violência.
Evangelista também reflete sobre o papel da linguagem no jornalismo, enfatizando que o termo “assassinato extrajudicial” foi usado por Duterte para criar uma justificativa para os crimes. A jornalista, que se considera especialista em trauma, destaca a importância de abordar as histórias das vítimas com respeito e ética, evitando perguntas que possam reviver o sofrimento.
A obra de Evangelista é um chamado à resistência e à memória, buscando dar voz a aqueles que foram silenciados pela violência. Ela acredita que, embora a esperança de mudança seja tênue, é fundamental documentar essas histórias para que não sejam esquecidas.
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