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PGR afirma que Almir Garnier apoiou estratégia do golpe em investigação

Procuradoria-Geral da República pede condenação de Jair Bolsonaro e Almir Garnier por suposto plano de golpe de Estado.

Eu nunca usei essa expressão (colocar as tropas à disposição) (Foto: Marcos Correa/Agência Brasil)
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  • A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou alegações finais em um processo que investiga um suposto plano de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo ex-ministros e comandantes militares, incluindo o almirante Almir Garnier.
  • O procurador-geral Paulo Gonet Branco pediu a condenação de Bolsonaro e Garnier, imputando ao almirante cinco crimes, como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito e organização criminosa armada.
  • A PGR argumenta que Garnier demonstrou alinhamento ideológico com Bolsonaro antes das eleições de 2022 e que sua ausência na troca de comando da Marinha simboliza apoio ao movimento golpista.
  • Uma reunião entre Bolsonaro, o então ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas discutiu medidas autoritárias após a derrota eleitoral, com Garnier se oferecendo para apoiar uma eventual ruptura.
  • Em sua defesa, Almir Garnier negou ter oferecido tropas para um golpe e afirmou que sua participação em reuniões foi mal interpretada.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou alegações finais em um processo que investiga um suposto plano de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvendo ex-ministros e comandantes militares, incluindo o almirante Almir Garnier. O documento, com 517 páginas, foi entregue ao Supremo Tribunal Federal na noite de segunda-feira, 14.

Na manifestação, o procurador-geral Paulo Gonet Branco pediu a condenação de Bolsonaro e Garnier, imputando ao almirante cinco crimes, entre eles a tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito e organização criminosa armada. Para a PGR, a adesão de Garnier ao projeto golpista é inegável e sua omissão durante a troca de comando da Marinha é vista como um ato simbólico de apoio ao movimento.

Gonet destacou que, antes das eleições de 2022, o almirante já demonstrava alinhamento ideológico com Bolsonaro. O procurador citou um desfile militar “atípico” da Marinha em agosto de 2021, que, segundo ele, foi utilizado para naturalizar a ideia de intervenção militar. A PGR argumenta que Garnier tinha conhecimento das intenções do governo ao promover o evento.

Reuniões e Ofertas de Apoio

Um ponto crucial da acusação é uma reunião entre Bolsonaro, o então ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas, onde foram discutidas medidas autoritárias após a derrota eleitoral. O ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Baptista Junior, afirmou que Garnier foi o único a se colocar à disposição para uma eventual ruptura, oferecendo tropas para a implementação das medidas.

Gonet criticou a postura do almirante durante seu interrogatório no Supremo, onde ele minimizou sua responsabilidade. O procurador ressaltou que a ausência de Garnier na troca de comando da Marinha foi um ato sem precedentes, simbolizando sua recusa ao resultado das urnas e contribuindo para a escalada de tensão institucional que culminou nos protestos de 8 de janeiro de 2023.

Defesa do Almirante

Em sua defesa, Almir Garnier negou ter colocado tropas à disposição de Bolsonaro para um golpe de Estado. Ele afirmou que não recebeu uma minuta de decreto e que sua participação em reuniões foi mal interpretada. O almirante se posicionou como um subordinado que apenas poderia questionar ordens claramente ilegais, o que, segundo ele, não ocorreu.

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