- A falta de acesso imediato às imagens das câmeras corporais da Polícia Militar tem atrasado investigações da Polícia Civil em São Paulo.
- Um caso recente é a morte de uma jovem, onde o acesso às gravações levou quase quatro meses, gerando insatisfação entre delegados.
- A Secretaria de Segurança Pública afirma que o acesso deve ocorrer em até 20 dias, mas isso contrasta com o prazo de 30 dias para inquéritos policiais.
- Delegados estão pressionando o Ministério Público para facilitar o compartilhamento das gravações.
- A gestão atual reconhece limitações técnicas nas câmeras antigas, mas novos modelos devem permitir compartilhamento automático com órgãos de controle.
A falta de acesso imediato às imagens das câmeras corporais da Polícia Militar tem comprometido investigações da Polícia Civil em São Paulo. Casos de demora no envio das gravações têm atrasado prisões que poderiam ocorrer em flagrante, evidenciando a burocracia envolvida no processo.
Um exemplo recente é a morte de Victoria Manoelly dos Santos, de 16 anos, que ocorreu em 9 de janeiro. O acesso às imagens da abordagem policial levou quase quatro meses, gerando insatisfação entre delegados. A Secretaria de Segurança Pública afirma que o acesso é feito por meio digital, com um prazo legal de até 20 dias após a solicitação, mas isso contrasta com o prazo de 30 dias para inquéritos policiais.
Burocracia e Impedimentos
A burocracia impede que delegados analisem as imagens no momento do registro da ocorrência. Um caso emblemático foi o de um homem rendido que foi morto por PMs em Paraisópolis, onde o comando da corporação conseguiu acessar as imagens rapidamente e prendeu os envolvidos. Delegados têm buscado pressionar o Ministério Público para que regras sejam criadas para facilitar o compartilhamento das gravações.
No caso de Victoria, o sargento Thiago Guerra, do 48° Batalhão, alegou que a morte ocorreu acidentalmente durante uma abordagem. O delegado Victor Sáfadi Maricato, do 50° DP, teve que solicitar a presença de um tenente para conseguir assistir ao vídeo, que foi disponibilizado apenas após insistência. As imagens, no entanto, chegaram editadas e sem áudio, o que gerou mais complicações na investigação.
Consequências e Demandas
A demora no acesso às gravações não é um caso isolado. O estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, também teve seu caso marcado por atrasos na liberação das imagens. A gestão atual reconhece que a falta de áudio nas câmeras antigas é uma limitação técnica, mas afirma que novos modelos já preveem compartilhamento automático com órgãos de controle.
Pesquisadores apontam que o controle da PM sobre as imagens pode prejudicar investigações. A natureza legal dessas gravações ainda gera debate, já que elas são consideradas evidências criminais. O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, destaca que a lentidão no processo judicial afeta a sociedade, que busca respostas rápidas em casos de violência policial.
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