- A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada de 17 de outubro, um projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil, com 267 votos a favor e 116 contra.
- O projeto, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é criticado por ambientalistas e pelo governo, que o chamam de “PL da devastação”.
- A nova legislação permite que empreendedores obtenham licenças ambientais por autodeclaração, o que pode comprometer a proteção ambiental.
- A proposta cria a Licença por Adesão e Compromisso (LAC) para projetos de médio impacto, mas a fiscalização será limitada a verificações por amostragem.
- O governo deve vetar partes do projeto, especialmente as que alteram as atribuições do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), refletindo a tensão entre o governo e a bancada ruralista.
A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quinta-feira, 17 de outubro, o projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil, com 267 votos a favor e 116 contra. A proposta, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta forte oposição do governo e de ambientalistas.
O projeto, conhecido como “PL da devastação”, altera regras que estavam em vigor há mais de duas décadas. A nova legislação permite que empreendedores obtenham licenças ambientais por meio de autodeclaração, o que, segundo críticos, pode resultar em um retrocesso significativo na proteção ambiental. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, classificou a aprovação como um golpe de morte no licenciamento ambiental.
Entre as mudanças, destaca-se a criação da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite que projetos de médio impacto sejam licenciados com base em compromissos de preservação. Ambientalistas alertam que a fiscalização será precária, com verificações apenas por amostragem. Além disso, a proposta revoga trechos da Lei da Mata Atlântica e limita a análise ambiental a áreas já homologadas.
A aprovação ocorreu em um contexto de pressão da bancada ruralista e de apoio de ministérios como Casa Civil e Agricultura, que argumentam que as novas regras podem destravar obras de infraestrutura. No entanto, a resistência do governo e de partidos de esquerda foi evidente durante a votação, que ocorreu em um plenário com baixa presença.
A expectativa é que o presidente Lula vete partes do projeto, especialmente as que alteram as atribuições do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A divisão entre o governo e a bancada ruralista se acirrou, refletindo a crescente influência do agronegócio na legislação ambiental do país.
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